"Mas quem tratou de me amar soube estancar o meu sangue e soube erguer-me do chão." Sérgio Godinho
sábado, maio 31, 2014
A Imitação do Ser
Eu não alcançar…
a ideia de te ver partir
É uma ferida impossível de sarar
Sinto-me a falir
Pedi-te para ser mais do que a imitação de um ser
Uma promessa vã
Eu iria saber fingir
Antes do fim da mocidade
Eu iria ser verdade
A durar além tempo…
Só mesmo a dor a fazer a sorte se foder
Um acervo de tortura a começar
Não foi o acaso, a queimar luz
E a oferecer a cegueira da minha fé
A mais sadia oferta para a minha cruz
Não Te amar…
Ter de caminhar pelo meu pé
Destruição
A eterna provação
Do que seria a nossa história de amor
O nosso amor
Ou a profissão errada de um sonhador.
Formigadaterra
sábado, março 29, 2014
Inconstância
A carne perece, eu sobrevivo,
Levando traços e marcas
Aqui e ali, pelo tempo,
De lugar para lugar
Além do esquecimento.
A herança que é capaz,
Na forma, na voz e no olhar,
De desprezar o breve instante
Da efemeridade humana - eis o meu ser;
O que é eterno no homem,
O que recusa morrer.
Thomas Hardy, "Heredity"
sábado, outubro 26, 2013
O RELÓGIO
quinta-feira, setembro 19, 2013
Frase
segunda-feira, agosto 26, 2013
A Intenção
Recordar é ensejo
De Formigadaterra
segunda-feira, agosto 19, 2013
Poema sem título
Amanheceu, é preciso acordar
O tempo está de calor
Abre os olhos, solte-te um pouco
Espera só mais um pouco, meu amor
Para ti, agora estou
O sonho ainda não acabou
No horizonte, o Abril de (a)manhã é todo teu
Ao seu encontro, caminha uma revolução
Feliz Aniversário, amor de vida!
Sorria mesmo no degredo.
O nosso sonho ainda não acabou
Que para ser feliz não há além segredo.
formigadaterra, inspirado num poema de uma canção de Júnior Maciel e Josias Teixeira
domingo, janeiro 16, 2011
Endgame Samuel Beckett

Hoje, Almada esteve em presença de um dos grandes encenadores do teatro europeu: Krystian Luca.
A peça levanta dúvidas, questões quem nem conseguimos pensar, e nem saber se conhecemos os motivos por que o não conseguimos.
Personagens que esperam pelo fim, não pelo futuro, porque o que está prestes a acontecer será em breve, no presente.
Acreditar na vida após a morte... então quando é que se começa a morrer? Sabe-se o dia ou o mês. Só não sabemos quando se começa a viver? Ou se queremos viver?
Piedade, não é Beckett. É nome de Cova!
Um dia você não terá ninguém, porque não terá tido pena de ninguém e não haverá ninguém de quem ter piedade.
Fala de HAMM
Documentação:
Pdf do TMA: http://www.ctalmada.pt/temporada/files/00000500/00000970_0010.pdf
Pdf: Trying to Understand to Endgame by Theodor Adorno
Boas leituras
Formiga
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Instante
Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões
Quando o ser só dura um instante onde cada instante
Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido
Sem esta onda onde por fim
Corpo e sombra juntos se dissipam
Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios
Arquejando furiosos em direcção ao socorro em direcção ao amor
Sem este céu que se eleva
Sobre o pó dos seus lastros
Que faria eu eu faria como ontem como hoje
Olhando para a minha janela vendo se não serei o único
A errar e a mudar distante de toda a vida
preso num espaço-marioneta
Sem voz entre as vozes
Que se fecham comigo.
Samuel Beckett
(tradução de Tiago Nené)
Fonte: http://casadospoetas.blogs.sapo.pt/50074.html
No dia 29 de Dezembro de 2010 estreou a peça de teatro "À Espera do Senhor Samuel B".
Mais informação no Expresso
Encontrei um excelente vídeo da peça "À espera de Godot"
Formiga
quarta-feira, setembro 08, 2010
A questão da Felicidade
sexta-feira, dezembro 25, 2009
Palavras de Ordem Jean Baudrillard
Baudrillard, Jean, 2001, Palavras de Ordem (1ªedição),Campo das LetrasO meu regresso teve todo o apoio de Maria C. P., o sincero agradecimento de
Formiga.
domingo, maio 31, 2009
"Processo exotópico da minha relação com o outro"
"O excedente da minha visão contém em germe a forma acabada do outro, cujo desabrochar requer que eu lhe complete o horizonte sem lhe tirar a originalidade. Devo identificar-me com o outro e ver o mundo através de seu sistema de valores, tal como ele o vê; devo colocar-me em seu lugar, e depois, de volta ao meu lugar, completar seu horizonte com tudo o que se descobre do lugar que ocupo, fora dele; devo emoldurá-lo, criar-lhe um ambiente que o acabe, mediante o excedente de minha visão, de meu saber, de meu desejo e de meu sentimento" (p.45).
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Mal Visto Mal Dito Samuel Beckett

Regressa à escuridão onde sorrir sempre. Se sorrir é isso."
Edições Quasi
Publicado por Formiga
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Neoliberalismo - uma exploração sem limites
JUSTIÇA
Visitar o Espaço da Artista-plástica Marília Chartune - clicar
BOURDIEU, Pierre
segunda-feira, novembro 17, 2008
Pragmática da Comunicação Humana por Paul Watzlawick
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quarta-feira, setembro 24, 2008
Os homens ocos, de T. S. ELIOT
Os homens ocos, de T. S. ELIOT
OS HOMENS OCOS
(Um pêni para o Velho Guy)
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada
Forma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.
II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frémito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular
III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trémulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.
IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio
Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.
V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada
Entre a ideia
E a realidade
Entre o movimento
E a acção
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reacção
Tomba a Sombra
A vida é muito longa
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.
(tradução: Ivan Junqueira)
sábado, setembro 06, 2008
Crianças de rua
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A chacina das crianças da Candelária
sábado, junho 21, 2008
A História Fabulosa de Peter Schlemihl
Imagem retirada de Gatos VadiosTitulo: A História Fabulosa de Peter Schlemihl
Disponivel na: Assírio & Alvim
Ver mais:
Café dos Loucos
Numa relação mais intercultural temos: O Elogio da Sombra de Junichiro Tanizaki
Excertos da obra" As Sombras errantes" de Quignard em: Divas & Contrabaixos
Tertúlia dos Mentirosos

Lição dada a corcunda
Ver mais em:
Laranja com Canela
O Homem Que Sabia Demasiado
segunda-feira, abril 14, 2008
Luz Silenciosa
Imagem retirada de http://luzsilenciosa.blogspot.com/O último filme de Carlos Reygadas demonstra uma maturidade de visão espantosa
Retirado do dossier Atalanta Filmes: Luz Silenciosa
Se dizer que para alguns cinéfilos este filme foi um longo bocejo, não estarei a fugir muita à verdade. A obsessão pela forma gerou situações de abandono compulsivo na sala. Pessoas que saíram a grande velocidade como estivessem a fugir sei lá do quê!
O meu veredicto: não estamos na presença de uma obra-prima, no entanto há passagens bem significativas que merecem alguma reflexão.
O Homem tem poder para determinar o seu destino, apenas usando o que existe?
Mas é última instância é nos dada a lição que o amor altruísta jamais é intrusivo. Mulher sôfrega sem legitimidade para pedir e não largar o que não é seu por convenção. A desdita “cabra”.
O Johan descobre a sua alma gémea, mas em si no filme não é mostrado um plano de intimidade entre estes dois amantes. Há o banalizado enlace sexual, que é pouco para definir uma relação harmoniosa que não seja a antecâmara do esquecimento passados uns meses.
Mais pertinente é o dilema amor versus paz. A desenvolver por mim agora.
Muitas mudanças e convulsões sociais geraram precariedade e mesmo algum sofrimento, na lógica do enamoramento ainda temos a nota de culpa. Estes são os grandes temas deste filme: a culpa e remorso e o arrependimento.
A resignação é uma via de paz… má? boa? É caso para dizer que sem ti não se vive, ou contigo também não se vive! É um dado viciante, pois evita-se o incómodo do remorso e até um certo desconforto. Mas deste modo é possível: uma bela e temperada desesperança tomar conta das ocorrências da nossa vida. O que fazer? A tal dúvida sistemática, o incómodo e solidão.
Sem procurar generalizar, até porque no mundo dos afectos é uma má abordagem, poder-se-á que é de princípio mor manter uma certa elegância e estilo a par com a capacidade de surpreender mesmo passados 500 mil anos. Se o outro mesmo numa situação tão favorável mesmo assim quer ir em debanda é porque alguma coisa está ainda mui podre no reino da Dinamarca.
Já na nos últimos minutos da fita é visto o sacrifício como prova suprema de amor, alguém renuncia para poder ainda mais amar. Todo o sentido a comparação com o bucolismo rural, onde um germinador de vida também é a luz. E veio a noite…
O filme italiano Baunilha e Chocolate é a ligação perfeita esta Luz Silenciosa. Formiga
Ver videos:
Luz Silenciosa: STELLET LICHT
Baunilha e Chocolate: Vaniglia e Cioccolato
quinta-feira, abril 03, 2008

(…) ---> clicar para ver o texto na integra





