domingo, outubro 15, 2006

Na mesma noite


Imagem cedida por: Cristina C.

Na mesma noite, tudo aconteceu…
Foi possível verem-se, mesmo pela distância,
Mas o importante era sentir a proximidade de suas almas.
Lindo, poder ver seu rosto apaixonado, e, ao mesmo tempo triste.

Talvez pela impossibilidade de se poderem tocar,

Sentir que mesmo longe se faz perto, não era o que queria.

Ele queria de certo muito mais, sentir seu corpo em seus braços,

Deixar o mundo parado de novo.

Mas não era possível, tinham de viver uma paixão distante.

Saber que a distância e a vida os separa, é saber que a morte está longe.

Que o mundo os tem de deixar viver, nem que seja apenas em sonho.

Uma eternidade existe sem dúvidas…eles querem que a vida se prolongue.
Não passam sem se falarem, existe um mistério inexplicável,
Algo que os deixa sufocados, tentando a todo o custo

Improvisar um encontro sem se verem.

É uma aventura, uma paixão, da qual o mundo está ausente.
Não sei se vai ser fácil, estar sem o ver tanto tempo.

Como irá reagir ela? Aguentará a ausência dele, o facto de não o poder ver?

Será possível viver de coração apertado?
As férias são belas, harmoniosas, descansadas,

Sempre bem vidas ao lazer de todos.

Mas ela não gosta, ela não quer, prefere sentir o mundo a girar,

Poder sentir todos os dias a agitação dos Homens…
Mas terá de viver assim, esperando notícias dele.

Não irá sofrer…ele não vai esquecê-la, precisa ouvi-la.

É um sentimento mutuo, de cumplicidade, de harmonia,

Os dois sentem que o Sol só nasce se o virem juntos,
A Lua só aparece quando suas almas fazem parte dela,

O Mar se agita na sua ausência e a Terra gira atiçando a paixão.

E é com o vento que as suas palavras chegam até ele,

E com a chuva que o coração bate, tendo a mesma pulsação.

Yaleo

domingo, outubro 08, 2006

Angel-a

Realização: Luc Besson. Intérpretes: Jamel Debbouze, Rie Rasmussen, Gilbert Melki, Serge Riaboukine. Nacionalidade: França, 2005.

Ele é um subserviente neurótico que é perseguido de forma implacável pelos seus credores. André incapaz de cumprir prazos decide no momento atirar-se uma ponte a fim de pôr termino à sua vida. Até que encontra uma alta e bela loura que de uma forma assumida decide mudar o rumo da sua vida começando pelos problemas práticos e depois os outros: de uma maneira simples expõe feriadas para assim conseguir reastruturar o todo da personalidade do individuo.
Quando Formiga recorda Elizabetown, um filme americano é notado que o motor de bem-fazer é uma paixão fulminante, aqui é diferente por existir um espírito de missão.
A cena do espellho acaba por não ter o resultado pretendido e nisso o filme falha na densidade do drama, já que na comédia provoca o riso com os seus diálogos quase hilariantes.
Boa fotografia e bons enquadramentos.
Formiga

De tanto bater o meu coração parou

"De Battre Mon Coeur's Arrêté"

Um do melhores filmes estreados em Portugal em 2005, o melhor dos quatro filmes do francês Jacques Audiard, "remake" nominal de "Melodia para um Assassino" (1978), de James Toback.
É um "filme negro" sem crime, nervoso e urgente, definido pelo autor como um "romance de iniciação" sobre um trintão que trabalha no lado mais sórdido do imobiliário parisiense (à imagem do pai) que começa a sonhar com a possiblidade de mudar de vida quando surge a oportunidade de passar uma audição como pianista de carreira (à imagem da falecida mãe).
Audiard ambienta esta história num inferno urbano do qual a música se paresenta como a única saída possível, com uma interpretação extrardionária de Romain Duris.

Fonte: Jornal Público, Suplemento Y, J.M.

No Verão de 2006 adquiri a edição especial de coleccionador em DVD que é composta por vários extras, tal como cerca: de vinte cenas cortadas, entrevistas, a explicação da origem do título do filme, uma canção, etc.
Na minha análise a este filme: Tom apenas tolera o seu modo de vida acomodado às diferentes situações impostas pela sua profissão, usa de modo recorrente a condutas violentas para obter resultados satisfatórios para os seus clientes, amigos e sobretudo para o seu pai que solicita amiúde cobranças difíceis.
A falecida mãe, uma pianista de carreira parece estar destinada a permanecer no esquecimento. A outra face da vida com todos os apelos da arte com um sentido que permite fugir ao absurdo urbano haveria por chegar numa oportunidade que surge pela mão do antigo agente da mãe ao incentivar a uma audição com o objectivo de se tornar pianista profissional. Por vezes bastam poucos minutos para os desejos latentes tomarem as rédeas do comando das nossas vidas. E era legitimo o abraçar deste projecto.
Tom toma uma decisão solitária, desapoiado pelo pai, incompreendido pelos amigos... É nesta conjuntura que decide preparar a sua audição com uma professora chinesa recém-chegada, nada conhecedora dos costumes e língua nativos. Sem palavras, com gestos e muita música a relação torna-se densa incrementada de uma cumplicidade cada vez maior.
As solicitações dos colegas para o desempenho de incursões nocturnas não lhe dão o sossego necessário para o sucesso e pouco confiante acaba por falhar.
Mais tarde perde o pai e tudo começa a desmoronar-se como um castelo de cartas. Talvez amparado pela rapariga chinesa já possuidora de bons conhecimentos de francês e a afirmar-se cada vez mais no mundo do espectáculo, Tom consegue estabelecer-se como um agente de espectáculos.
Em tom de conclusão pode-se dizer que aqueles que tão próximos corporeamente, lá vão ocupando um espaço que cada vez parece ser só físico e não se identificam razões das escolhas, pouco é entendido do lado emocional da questão, como é demonstrado no filme: de modo primário temos a incompetência para amar no leito conjugal e esse mal é como se alastrasse a todas as freguesias e o anti-herói deste filme deambula pelas ruas de Paris (ou da amargura) ao som dos The Kills em busca da mudança, de escapar.
Este filme foi visto pelo Formiga numa sala debaixo do nível do solo. Quem conhece o "King"? Formiga

domingo, setembro 24, 2006

Começar a Acabar

Samuel Beckett nasceu no seio de uma familia buguesa próspera mas ao contrário das expectativas dos progenitores , não conseguiu dedicar-se aos negócios. Inclinando-se desde sempre para as letras, conheceu James Joyce e tornou-se seu secretário, tendo sido fortemente influenciado por este escritor modernista. Foi professor e ensaista, mas rapidamente passou a dedicar-se apenas à Literatura. Durante a a II Guerra Mundial, envolveu-se directamente na Resistência Francesa. "À Espera de Godot", escrita em 1952, operou uma verdadeira revelação no teatro da época, sendo ainda hoje uma das peças mais representadas no mundo inteiro.

No D. Maria II, João Lagarto encena e interpreta Começar a Acabar (1970), de Samuel Beckett (1906-1989), uma selecção de fragmentos de três dos seus mais famosos romances (Molloy, Malone está a morrer e O Inominável).
Tendo como elemento unificador a figura de um homem andrajoso que, certo do seu fim, conta as suas histórias de vida, funciona como best of introspectivo , surgido um ano depois de Beckett ter recebido o Nobel.
A cena negra, sem adereços à excepção de três lâmpadas suspensas, recebe sobriamente o actor. Este, rigoroso e amador de cada gesto, oferece-nos uma deleitante hora e meia de dramas, tensões e episódios, num equilíbrio apurado entre os vários registos. Firme na relação directa com o público, quase quotidiano no tom por vez confesional, João Lagarto não se enreda em histrocismos trágicos ou fársicos, pelo contrário torna a personagem próxima e real e por isso assombrosa. Aliando um sedutor jogo de nuances de intenções ao poder quetionador e risível do texto. Lagarto cria uma excelente representação de um clássico do século XX que prima pela vontade de comunicar.

Fonte: Ana Pais, do Jornal SOL


"Estreado originalmente a 23 de Abril de 1970, no Théâtre Édouard VII, em Paris, onde se manteve em cena durante três anos (até à morte de MacGowran, pneumonia, aos 55 anos), "Começar a Acabar nunca mais foi levada à cena: Pelo menos essa é a convicção de João Lagarto, que agora decidiu "ressuscitar" a peça e interpretá-la (...)"

Fonte: Jornal do Teatro D. Maria II


Parte final do texto da peça retirado do livro: " O Inominável"

"(...) talvez seja um sonho, muito me admiraria, vou acordar, no silêncio, nunca mais vou adormecer, serei eu, ou continuar a sonhar, sonhar com o silêncio, um silêncio de sonho, cheio de murmúrios, não sei, são palavras, nunca mais vou acordar, são palavras, é o que há, tem de se continuar, é tudo o que sei, eles vão parar, sei bem o que isso é, sinto-os largarem-me, haverá silêncio, por uns instantes, alguns instantes, ou será o meu, aquele que dura, que que não durou, que continua a durar, serei eu, tem de se continuar, portanto vou continuar, tem de se dizer palavras, enquanto as houver, é preciso dizê-las, até eles me encontrarem, até eles me dizerem, estranho castigo, estranho crime, que é preciso continuar, talvez já tenha acontecido, talvez eles já me tenham dito, talvez me tenham transportado ao limiar da história , à porta que dá para a história, à porta que dá para a minha história, à porta que me dá para a minha história, muito me admiraria, se ela se abrisse, vou ser eu, vai haver silêncio, aqui onde estou, não sei, nunca saberei, no silêncio não se sabe, tenho de continuar, não posso continuar, vou continuar."

domingo, setembro 10, 2006

The Pillow Man



Num regime totalitário, um escritor é interrogado acerca do conteúdo grotesco dos seus contos e das suas semelhanças com uma série de homicídios infantis que estão a acontecer na sua cidade. O título da peça é o nome de um dos contos desse escritor onde um simpático e fofo personagem feito de almofadas encoraja crianças pequenas a suicidarem-se de forma a evitarem assim uma vida inteira de sofrimento. The Pillow Man é uma descrição maravilhosamente negra da necessidade das histórias nos fazerem sofrer, e de nos curar. fonte: MM

Num sítio onde a liberdade pessoal é virtualmente inexistente, quanto tempo pode um contador de histórias originais sobreviver antes das forças de controlo e de poder acabarem com ele? É sobre a responsabilidade de um artista pelo seu trabalho e da protecção do mesmo segundo as leis da liberdade de expressão. Pode um artista ser culpado pelos sofrimentos que provoca? E se alguém agir segundo esses sentimentos, quem é o responsável afinal?
fonte: J. Expresso



Esta peça começa logo qua
ndo o espectador ocupa o seu lugar, na renovada sala do Maria de Matos. São interessantes a boa escolha do azul dos cadeirões e o bom espaço entre filas.
O jogo de sombras é o grande indicio que um mundo se movimenta, que a história já começou há muito. E no fim da peça quando abandonamos a sala, cá fora ainda temos a real conclusão com uma carta de Katurian Katurian Katurian escrita à mão como tivesse sido feito no decurso da peça.
A palavra "caralho" aparece no texto da peça umas 40 vezes junto de outro calão, os movimentos de brutalidade, de raiva incontida podem ter origem da reminiscência das fragilidades do desencanto das histórias de infância das personagens.
Procura-se a defesa dos valores supremos da infância em geral, em tempo real, mas afinal todos regressamos ancorados com a história ao nosso passado e junto das persongens conseguimos por momentos pensar sermos dono do controlo sobre os acontecimentos, mas apenas voltamos a ser meninos e queremos não nos façam mal, não se rompam mais feridas. Quem não pode ser menino uma vez menino terá no ultraje dos acontecimentos a sua meninice de volta com toda a responsabilidade de homem grande perante a lei. As almofadas não abafam, não matam esse passado. Estas personagens podem ser ficcionais, mas o que já foi nesta vida de Formiga é sempre presente.
A arte como sugestão... quem disse que aquelas histórias com crianças eram destinadas às mesmas? Nunca poderiam ser. O azar de um homem com necessidades cognitivas especiais e sobretudo com dificuldade em separar o mundo (des)encantado do tangível que acabou por ser condicionado a seguir literalmente a intriga das histórias de seu irmão ao infligir flagelos aos mais novos, o próprio tinha sido torturado sete anos fechado num quarto. Se não fossem as almofadas seria ainda mais tempo... Ainda a referir que o encenador é Tiago Guedes, irmão do Rodrigo Guedes de Carvalho. Esta peça estreou num teatro em Londres: "National Theather Cottesloe".Formiga

Passagens do texto da peça:

"
Escreve uma história sobre um miúdo que acaba todo fodi..."


"(Escrevo) sem nenhum interesse a defender, sem interesses sociais."


"Nós não somos animais, mas apen
as lidamos com animais"

terça-feira, setembro 05, 2006

B'52

B'52 pode ser um bombardeiro norte-americano, uma bebida forte, popular nos bares da cidade ou um grupo de música que nos anos 90 fez um tremendo sucesso. Lembro-me que as rádios não cessavam de passar este "Good Stuff".
Esta banda gravou um tema com os REM e fizeram a banda sonora do filme os Flinstones chegando mesmo aparecer numa festa pomposa.
O tema "Good Stuff" é cómico e sobretudo muito alegre, isto é exactamento o oposto de um James Blunt. Por se ver Kate Person a cantar num registo altissimo e tanbém se poder reparar num inicio de canção que só pode provocar gargalhadas (popó popó po popó) com um senhor todo fleumático de um inglês excelente a dizer "erotize" num tom quase hilariante. Coisa boa? Não!? Então passa à frente. Enfim Good Stuff.

sábado, setembro 02, 2006

The B52s - Good Stuff

Nada como um bom material cantado por Kate Person nos anos 90.