domingo, fevereiro 25, 2007

Half Nelson


De:
Ryan Fleck
Com:
Ryan Gosling, Shareeka Epps, Anthony Mackie
Género:
Drama
Classificação:
M/16
Estúdios:
Hunting Lane Films
EUA, 2006, Cores, 106 min.


Nas suas aulas, Dan abraçou a dialéctica de conceitos e valores e como método de ensino, e pouco a pouco os resultados vão aparecendo no seio de um grupo de alunos oriundos de bairros degradados.
O flagrante neste filme é que o contraste entre o professor atencioso e competente e o homem quase andrajoso do dia-a-dia que acaba por fazer jus à sua teoria aplicando-a ao seu estilo de vida.
Porém é fácil encontrar um ponto de convergência, fora dos “opostos”: a dependência química e a necessidade de preencher o vazio existencial junto dos adolescestes de sua aula. O mal de se encontrar fora do sujeito o motivo de uma pseudo manutenção mínima do seu bem-estar pessoal, porque socialmente o nosso Dan está arredado. As oportunidades surgem e são desperdiçadas, ironia do destino, na aula é ensinado a um aluno que as segundas oportunidades devem ser aproveitadas. Aqui mais uma vez a teoria dos opostos em espaço real e em novo paradoxo. Será Dan um fingidor? Um performer? E sua audiência acredita no desempenho do seu papel? (Goffman) A resposta seria não. Porquê? O melhor será mesmo ver o filme.

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Nesta apresentação podemos ver o professor a explicar que nos podemos opor à máquina mas não deixamos de pertencer à mesma.
O site está bem construído e funciona correctamente.
Ryan Gosling foi nomeado para um Óscar na categoria de melhor actor pelo seu desempenho neste filme.
E por último perguntar ao grande público se é possível obter uma conexão entre esta obra cinematográfica e o tópico de Jean Baudrillard?
formiga

sábado, fevereiro 17, 2007

Jean Baudrillard

"A questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia."

Jean Baudrillard (Reims, França 1929 é sociólogo e filósofo francês)



Baudrillard além do seu trabalho teórico tem uma intensa actividade artistica como poeta e fotógrafo com vários trabalhos exposto em França e por todo o mundo.
"O Anjo de Estuque" é o seu mais recente livro , publicado em parte na edição número quatro da revista Confraria do Vento.

O Anjo de Estuque


IV


A água é tão clara
que aceita o jorro
dos bichos.
Tudo é exacto
ou avivado
em cena
não longe da compreensão humana
ou sob a foice
sob a cinza
sob as águas-mães.
Os músculos estriados
enervam o chão
revirado. Até a água
tem a enervação
do teor do mal.
E nada é separado.
Tudo é exalto como
o sangue sob as unhas.
Assim se alternam
as coisas imaginadas
que circundam seu
próprio vazio, onde reluz
imersa como
cadeira a espada
gestual do Sol.


VI


O avesso do céu
gravado em cobre
e desensolarada a própria água
entre o fim da feira
e o mercado de flores
quando ultrapassamos a imagem
uns dos outros
olhos abertos – mas
sem quebrar a simetria
no entanto
o brilho dos olhos vem
do jogo das ideias contrárias e
da incerteza da vontade, e
se desde cedo nossos sonhos
nos forem explicados – para que
andar a noite inteira?
Até as mais frágeis meninges
das árvores, dos degraus,
de perto ou de longe
é a fidelidade de um só
ou no fingidor, o inverno,
a vergonha feita da
maciez de um corpo
estranho.
Escorcioneiras genitais
e perfumadas
do desejo
a ave sinclinal chama
com seu guincho de harpia
anticlinal da floresta.


VIII


Em cena ou
sob paredes violentamente
iluminadas
mas contidas
e preservadas,
sem nunca tocar o chão
peripécia animal – leveza
peripécia mental – a dança
e as batalhas
nem vitória nem derrota,
a guerra é isso,
e as espirais dos ladrilhos
são essas
de todo jeito – mas
fogem por baixo delas como
um sonho alternativo
cursivo ou discursivo
as linhas de fuga
as superfícies planas
a carne crua, se balança
entre lanternas gémeas.
E a luz é tão fria
que distingue vinho
e água
num só copo.
São as andorinhas que
voltam de onde vêm.
E o fogo se apaga lentamente
como um fogo que
se apagasse lentamente.


X


Um relógio sem ponteiros

impõe o tempo

mas deixa adivinhar a hora.

A escuridão é simples ou

a contraditória

das cortinas verdes.

A água é macia ao toque

qual morte natural.

Exterior morno é

o alburno dos freixos e

o papo dos galos

friável sob os dedos

e translúcido

sob as pálpebras da máscara

como os élitros das borboletas

mortas – mais morno que

as estratificações interna das íris

o humor vítreo

dos olhos –

quente e assexuada

a noite

qual olho sem cílio

qual janela sem hera

nua e assexuada

a superfície do solo

livre da quadratura das paredes.


XII


Amarga
nas mãos enluvadas
a luz artificial
o Norte
mas um grito único, a infância
parece garganta nua
o Oriente
a sede e
a satisfação da sede
o calor inteiro
a aberração das forças
o meio-dia do verão –
mesmo vazia a cena conserva
uma saída possível –
no entanto interna é
a falível
sem pensar, e o vento
doce, rente às paredes,
a si mesmo – elasticidade
como por um vidro escuro
desafinado
ou trôpego
o Ocidente
brinquem gritem
nossas unhas são tão grandes
que os quatro cantos do céu
grudam nelas como terra
cavada – e
nem chão nem céu, mas quis
o sol de fora
não só os gestos são
calculados, as próprias mãos
têm ciúmes uma da outra.


tradução de Cristina Abruzzini Werneck Lacerda

e Adalgisa Campos da Silva






sexta-feira, janeiro 05, 2007

Breathe me de Sia




Ajuda-me, eu fi-lo de novo
Eu tenho estado aqui muitas vezes antes
Magoei-me a mim própria novamente hoje
E o pior é que não há mais ninguém tbm para culpar

Sê meu amigo
Segura-me, embala-me
Descubra-me, eu sou pequena e carente
Embala-me e respire-me
Ai, eu me perdi de novo
Perdi-me a mim próprio e estou para ser encontrada
É, eu pensei que pudesse quebrar
Eu perdi-me de novo, e sinto-me desprotegida

Sê meu amigo
Segura-me, embala-me
Embala-me e respire-me

Sê meu amigo
Segura-me, embala-me
Embala-me e respira-me

Letra traduzida de Breathe me de Sia


Sia Furler é uma cantora e escritora de canções australiana que já trabalhou com os Zero Seven e Beck. É ao som deste tema “Breathe me” que termina o último episódio da série Sete Palmos de Terra.
O tema da letra da canção faz-me lembrar uma personagem do filme francês de Arnaud Desplechin: “Reis e Rainha”.
Existe um vinil e cd single com as várias versões desta tema, a minha preferida é a dos Four Tet remix com excelentes rufs de bateria e um órgão muito interessante. A rádio Radar apostou neste tema que passou vezes sem conta durante o ano 2006.
Adquirir o CD é uma tarefa ardilosa por não existir nas lojas habituais, nem por importação. Fonte: fORMIGA





terça-feira, janeiro 02, 2007

Breathe Me

Inserida na banda sonora da série: SETE PALMOS DE TERRA

domingo, dezembro 24, 2006

Amor Suspeito

Amor Suspeito

Realização: Emmanuel Carrere

Com: Vincent Lindon, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Hippolyte Girardot, Cylia Malki, Macha Polikarpova, Fantine Camus

Site oficial: La Moustache

Género: Drama/Thriller

Distribuição: Vitória Filme

Classificação: M/12

França, 2005

86min

Data de estreia: 21 de Dezembro de 2006


"Amor Suspeito" é a história de um homem (Vincent Lindon) que decide rapar o bigode. Nos primeiros planos, Lindon toma banho de imersão e, passando-lhe a ideia pela cabeça, pergunta à mulher (Emmanuelle Devos) o que pensa. Ela responde que não sabe o que pensar, sempre o conheceu com bigode. Ele decide-se e rapa o bigode, à nossa frente. Depois vem a improvável crise: a mulher não dá sinal de notar que ele o rapou, os amigos também não, os colegas idem. Nada, nicles, como se nunca tivesse havido bigode - e é aliás o que todos lhe garantem, "nunca tiveste bigode", quando ele ganha coragem para abordar o assunto.
Compacto, em linha recta, sequíssimo e sem palha nenhuma, "Amor Suspeito" está algures entre Kafka e as histórias de Serling, ou os contos de Roald Dahl ou os nacos de perversidade que Hitchcock apresentava, também na televisão. Um mundo que se vira do avesso por dá cá aquela palha, mas que ao mesmo tempo se mantém exactamente igual. ... uma espécie de fábula metafísica sobre o modo como um homem se apaga quando tudo em seu redor parece negar as certezas da sua identidade, da sua memória, da sua experiência. Fonte: Luís Miguel Oliveira (Público)

Emmanuelle Devos mantém a vocação de “castigar” homens, já observada no “Reis e Rainha”. Uma realidade subversiva tem como norma a contradição na quebra da alteridade que provoca a experiência da não identidade.

Norma essa que está inscrita num conjunto de valores que regem comportamentos.

Este filme mostra as características das sociedades: as ocidentais e orientais no deambular desconcertante da personagem principal por Paris e Hong-Kong.

Não é fácil de perceber a razão de se estar inserido no meio com expressões afectivas significativas e uma vontade manter a relação firme, e no entanto a verdade aparece distorcida. A sociedade na sua crise afectiva e medo patológico de recorrer ao enraizamento mais profundo do amor larga a herança mais temerária de todas: a dissonância da comunicação associada também à compressão do tempo. A consequência desta situação é nas vivências do quotidiano gera-se a incapacidade para a intimidade. Tão fácil de verificar essa situação no filme num momento em que a mulher se levanta e atende o telefone e ele aproxima-se, saindo da cama a vestir-se. Situação curiosa?

A grande alegoria desta história é o conflito surdo, improvável entre a personagem e sua comunidade.

Fonte: Formiga







Vermelho Transparente

Uma história inverosímil, não gostei do texto:

"Então já matou o seu marido?"





domingo, novembro 19, 2006

Filoctetes, no Teatro do Bairro Alto


Filoctetes é um herói grego originário da Tessália, filho de Peante e de Demonassa. Segundo o mito, foram-lhe confiados o arco e as flechas de Héracles.

Chefiava um contingente de sete naus com cinquenta arqueiros, mas não chegou a Tróia com os outros chefes, pois durante a escala em Ténedo, foi mordido no pé por uma serpente, enquanto procedia a um sacrifício. A ferida infectou de tal modo que exalava um odor de putrefacção insuportável. Devido a isso, Ulisses e os outros chefes abandonaram o ferido em Lemnos, onde permaneceu dez anos.

Uma outra versão contava que Filoctetes fora ferido não por um animal, mas por uma flecha de Héracles envenenada que caíra da aljava, atingindo, acidentalmente, o pé do herói, como vingança de Héracles, que quis desse modo punir o perjúrio cometido por Filoctetes ao revelar o local onde ardera a pira erguida no Eta.

Ainda segundo outra versão, os gregos abandonaram Filoctetes na ilha para que ele curasse o ferimento, pois existia em Lemnos um culto de Hefesto cujos sacerdotes tinham fama de saber tratar mordeduras de serpente. O herói ter-se-ia curado, chegando algum tempo depois a Tróia, para se reunir ao exército grego.

Sófocles, na tragédia intitulada Filocletes, conta que o herói se feriu não em Ténedo, mas na pequena ilha de Crise, onde existia um altar de Filoctetes, com as imagens de uma serpente e de um arco esculpidas em bronze. Ele fora mordido por uma cobra escondida no meio de ervas altas, no momento em que limpava o altar de Crise.

A gruta onde Filoctetes viveu durante dez anos foi a única testemunha do sofrimento e da solidão deste herói. Esta gruta é caracterizada por Neoptólemo e pelo nosso herói.

Neoptólemo caracteriza o lugar habitado pelo triste herói como tendo folhagem calcada (v. 33), um copo tosco de madeira obra de artesão desajeitado e ainda com que fazer fogo (vv. 35-36) e farrapos a secar, cheios de pus repugnante (vv. 38-39).

Filoctetes descreve a gruta pela primeira vez (vv. 954-956) dizendo que a gruta era rochosa com dupla entrada, sem defesa e privado de alimento. Mais à frente (vv.1081-1094), descreve a gruta de côncava entrada como sendo abrasadora e gelada e como única testemunha da sua morte. Na hora da partida o herói despede-se da sua antiga morada (vv.1453-1454) dizendo que esta fora a sua única companhia. Assim sendo, podemos afirmar que o herói vivia enquadrado num cenário que denunciava o primitivismo do seu modus vivendi.

O trágico para Filoctetes não é somente ter sido abandonado em Lemnos. É ter de decidir se permanece na ilha ou ruma a Tróia; se se mata ou não Ulisses; se se suicida ou não. A sua única certeza é que não pretende lutar ao lado dos Atridas e de Ulisses.

A fatalidade em Filoctetes é estar no mundo sem ter participado da decisão. A sorte dele, ou não, foi o adivinho Heleno o ter citado como condição sine qua non para a destruição de Tróia. Se os Atridas não tivessem acreditado em Heleno, teriam deixado Filoctetes abandonado?

O herói viveu abandonado durante dez anos, arrastando-se penosamente pela ilha em busca do necessário. Tinha por companhia as aves, os animais, a solidão, o eco dos seus lamentos (vv. 936-940, 1081-1094, 1146, 1162, 1453...). A vida de sofrimento e de injustiça tornaram-no desconfiado.

A injustiça, o egoísmo e a traição sentidos ao longo de dez anos levaram-no a detestar a própria vida e a detestar-se a si próprio. Os homens já não lhe diziam nada, ou pouco lhe diziam.

Este herói, injustamente tratado pelos companheiros, tornou-se no homem exaltado pelos deuses, imprescindível à sociedade que o desprezou e que agora o tem de procurar. Procura-o, contudo, por necessidade e não para reparar a injustiça que lhe fizeram.

O herói é acusado de rejeitar a sociedade, mas foi ela quem o rejeitou. Filoctetes apenas exigia que o tratassem como homem e não como coisa. No entanto, era um homem livre e não escravo (vv. 995-996) e não se submeteu. Quis continuar livre, ser homem; preferiu a morte – que era certa, após lhe haverem roubado o arco a rebaixar-se e a prescindir da liberdade. Resistiu a todas as pressões, escondidas nas belas palavras e nas promessas mais sedutoras, ou acompanhadas das mais cruéis ameaças. Resistir era para ele uma virtude e não concebia que alguém o pudesse obrigar a fazer o que não queria.

Após a guerra de Tróia pouco sabemos do herói. A Odisseia refere que o herói chegou bem à sua pátria (canto III, vv.189-190), a partir daí podemos supor que o herói conseguiu chegar são e salvo a casa e que conseguiu alcançar a glória que lhe era devida.

O mito de Filoctetes tem subjacente uma clara função pedagógica. Actualmente, essa mesma função ainda prevalece. Quem lê a tragédia sofocliana consegue retirar uma lição de moral: não devemos abandonar ninguém só porque se encontra incapacitado, pois esse alguém, um dia mais tarde, pode ser precioso. Deste modo, o mito tem como objectivo criticar a maneira como a sociedade trata os que estão incapacitados.


Selecção Bibliográfica:

SÓFLOCLES, Filoctetes, Introdução, versão do grego e notas de José Ribeiro Ferreira, 2ªed., Coimbra, 1988, INIC.

FERREIRA, José Ribeiro, O drama de Filoctetes, 1ªed., Coimbra, INIC, série - Estudos de Cultura Clássica: 3, 1989.

MORAIS, Carlos, Expectativa e movimento no Filoctetes, Estudos de Cultura Clássica, INIC.

PULQUÉRIO, Manuel de Oliveira, Problemática da Tragédia So

focliana, 2ªed., INIC, s.d.

Fonte: Ana Carina Costa
Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesa


A vitória das emoções

Quando Luís Miguel Cintra / Filoctetes entra em cena, fazendo-se anunciar por gemidos de dor, ficamos logo a perceber o tom, patético, com que o actor decidiu dar corpo à personagem criada por Sófocles. Se, até ao momento, tínhamos ficado impressionados com a frieza do espectáculo – conferida pelo cenário e pelo desenho de luz, mas também pela interpretação contida dos actores – a partir daqui assistimos à entrada em cena do elemento humano naquilo que tem de mais orgânico e de afectuoso. A leitura á óbvia: a civilização torna-nos frios e calculistas, a natureza suaviza-nos, permite que as emoções nos dominem. Luís Miguel Cintra é, neste aspecto, o contraponto de António Fonseca. O seu Filoctetes é tão profundamente comovente como Ulisses de Fonseca é uma crueldade admirável. Os dois actores estão igualmente brilhantes o espectáculo faz-se muito do choque destes dois homens e dos mundos opostos que representam. No meio, está Duarte Guimarães/Neoptólemo, que começa como discípulo de um e acaba convertido ao outro… Para ver e meditar ( neste caso: recordar).

Fonte: Ana Maria Ribeiro, Jornalista, publicado no Correio da Manhã


O Formiga esteve lá


O nº 1 da rua Tenente Raul Cascais é um prédio banal com revestimento pedra de tijolo, tipo azulejo, duas varandas cinzentas sobressaem ao olhar menos atento.

A entrada para o edifício da Cornucópia é estreita, situada entre prédios em frente de uma porta de uma garagem. A rua é curta e termina num parque de estacionamento, com um sentido proibido. Neste domingo de sol pálido, uma temperatura agradável perdurava o silêncio pelas 16:15, dois gatinhos cinzentos malhados estavam deitados por cima da capota de um MG e outro algures.


O público começou a chegar quase em massa, e houve mesmo alguma confusão. A sala situa-se na cave e as cadeiras todas com capas brancas estão numa disposição de anfiteatro, repartidas por duas bancadas, de estrutura metálica de encaixe. A entrada é feita entre ambas.Assim poder-se-á dizer que não temos um palco, tudo decorre ao nível do solo.A destacar do cenário, os espelhos que reflectiam parte da imagem do público presente, talvez um espelho social. Simbologias...
A sala estava lotada com pessoas de várias idades, desde crianças a idosos.
Tinha caído a noite e o Jardim do Príncipe Real, deserto de pessoas, a fazer esquecer o movimento da semana, entrevêem-se perto da paragem quatro senhores vestidos por igual cumprimentam-se afectuosamente, com o Formiga a desaparecer de cena de autocarro. Fonte: Formiga