Título original: No Sos Vos, Soy Yo
De: Juan Taratuto
Com: Diego Peretti, soledad Villamil, Cecilia Dopazo
Género: ComDra
Classificação: M/12
ARG/ESP, 2004, Cores, 105 min.
"Mas quem tratou de me amar soube estancar o meu sangue e soube erguer-me do chão." Sérgio Godinho

Nas suas aulas, Dan abraçou a dialéctica de conceitos e valores e como método de ensino, e pouco a pouco os resultados vão aparecendo no seio de um grupo de alunos oriundos de bairros degradados.
O flagrante neste filme é que o contraste entre o professor atencioso e competente e o homem quase andrajoso do dia-a-dia que acaba por fazer jus à sua teoria aplicando-a ao seu estilo de vida.
Porém é fácil encontrar um ponto de convergência, fora dos “opostos”: a dependência química e a necessidade de preencher o vazio existencial junto dos adolescestes de sua aula. O mal de se encontrar fora do sujeito o motivo de uma pseudo manutenção mínima do seu bem-estar pessoal, porque socialmente o nosso Dan está arredado. As oportunidades surgem e são desperdiçadas, ironia do destino, na aula é ensinado a um aluno que as segundas oportunidades devem ser aproveitadas. Aqui mais uma vez a teoria dos opostos em espaço real e em novo paradoxo. Será Dan um fingidor? Um performer? E sua audiência acredita no desempenho do seu papel? (Goffman) A resposta seria não. Porquê? O melhor será mesmo ver o filme.
"A questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia."
Jean Baudrillard (Reims, França 1929 é sociólogo e filósofo francês)

IV
A água é tão clara
que aceita o jorro
dos bichos.
Tudo é exacto
ou avivado
em cena
não longe da compreensão humana
ou sob a foice
sob a cinza
sob as águas-mães.
Os músculos estriados
enervam o chão
revirado. Até a água
tem a enervação
do teor do mal.
E nada é separado.
Tudo é exalto como
o sangue sob as unhas.
Assim se alternam
as coisas imaginadas
que circundam seu
próprio vazio, onde reluz
imersa como
cadeira a espada
gestual do Sol.
VI
O avesso do céu
gravado em cobre
e desensolarada a própria água
entre o fim da feira
e o mercado de flores
quando ultrapassamos a imagem
uns dos outros
olhos abertos – mas
sem quebrar a simetria
no entanto
o brilho dos olhos vem
do jogo das ideias contrárias e
da incerteza da vontade, e
se desde cedo nossos sonhos
nos forem explicados – para que
andar a noite inteira?
Até as mais frágeis meninges
das árvores, dos degraus,
de perto ou de longe
é a fidelidade de um só
ou no fingidor, o inverno,
a vergonha feita da
maciez de um corpo
estranho.
Escorcioneiras genitais
e perfumadas
do desejo
a ave sinclinal chama
com seu guincho de harpia
anticlinal da floresta.
VIII
Em cena ou
sob paredes violentamente
iluminadas
mas contidas
e preservadas,
sem nunca tocar o chão
peripécia animal – leveza
peripécia mental – a dança
e as batalhas
nem vitória nem derrota,
a guerra é isso,
e as espirais dos ladrilhos
são essas
de todo jeito – mas
fogem por baixo delas como
um sonho alternativo
cursivo ou discursivo
as linhas de fuga
as superfícies planas
a carne crua, se balança
entre lanternas gémeas.
E a luz é tão fria
que distingue vinho
e água
num só copo.
São as andorinhas que
voltam de onde vêm.
E o fogo se apaga lentamente
como um fogo que
se apagasse lentamente.
X
Um relógio sem ponteiros
impõe o tempo
mas deixa adivinhar a hora.
A escuridão é simples ou
a contraditória
das cortinas verdes.
A água é macia ao toque
qual morte natural.
Exterior morno é
o alburno dos freixos e
o papo dos galos
friável sob os dedos
e translúcido
sob as pálpebras da máscara
como os élitros das borboletas
mortas – mais morno que
as estratificações interna das íris
o humor vítreo
dos olhos –
quente e assexuada
a noite
qual olho sem cílio
qual janela sem hera
nua e assexuada
a superfície do solo
livre da quadratura das paredes.
XII
Amarga
nas mãos enluvadas
a luz artificial
o Norte
mas um grito único, a infância
parece garganta nua
o Oriente
a sede e
a satisfação da sede
o calor inteiro
a aberração das forças
o meio-dia do verão –
mesmo vazia a cena conserva
uma saída possível –
no entanto interna é
a falível
sem pensar, e o vento
doce, rente às paredes,
a si mesmo – elasticidade
como por um vidro escuro
desafinado
ou trôpego
o Ocidente
brinquem gritem
nossas unhas são tão grandes
que os quatro cantos do céu
grudam nelas como terra
cavada – e
nem chão nem céu, mas quis
o sol de fora
não só os gestos são
calculados, as próprias mãos
têm ciúmes uma da outra.
tradução de Cristina Abruzzini Werneck Lacerda
e Adalgisa Campos da Silva

Ajuda-me, eu fi-lo de novo
Eu tenho estado aqui muitas vezes antes
Magoei-me a mim própria novamente hoje
E o pior é que não há mais ninguém tbm para culpar
Sê meu amigo
Segura-me, embala-me
Descubra-me, eu sou pequena e carente
Embala-me e respire-me
Ai, eu me perdi de novo
Perdi-me a mim próprio e estou para ser encontrada
É, eu pensei que pudesse quebrar
Eu perdi-me de novo, e sinto-me desprotegida
Sê meu amigo
Segura-me, embala-me
Embala-me e respire-me
Sê meu amigo
Segura-me, embala-me
Embala-me e respira-me
Letra traduzida de Breathe me de Sia
Sia Furler é uma cantora e escritora de canções australiana que já trabalhou com os Zero Seven e Beck. É ao som deste tema “Breathe me” que termina o último episódio da série Sete Palmos de Terra.
O tema da letra da canção faz-me lembrar uma personagem do filme francês de Arnaud Desplechin: “Reis e Rainha”.
Existe um vinil e cd single com as várias versões desta tema, a minha preferida é a dos Four Tet remix com excelentes rufs de bateria e um órgão muito interessante. A rádio Radar apostou neste tema que passou vezes sem conta durante o ano 2006.
Adquirir o CD é uma tarefa ardilosa por não existir nas lojas habituais, nem por importação. Fonte: fORMIGA
Amor SuspeitoRealização: Emmanuel Carrere
Com: Vincent Lindon, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Hippolyte Girardot, Cylia Malki, Macha Polikarpova, Fantine Camus
Site oficial: La Moustache
Género: Drama/Thriller
Distribuição: Vitória Filme
Classificação: M/12
França, 2005
86min
Data de estreia: 21 de Dezembro de 2006
Emmanuelle Devos mantém a vocação de “castigar” homens, já observada no “Reis e Rainha”. Uma realidade subversiva tem como norma a contradição na quebra da alteridade que provoca a experiência da não identidade.
Norma essa que está inscrita num conjunto de valores que regem comportamentos.
Este filme mostra as características das sociedades: as ocidentais e orientais no deambular desconcertante da personagem principal por Paris e Hong-Kong.
Não é fácil de perceber a razão de se estar inserido no meio com expressões afectivas significativas e uma vontade manter a relação firme, e no entanto a verdade aparece distorcida. A sociedade na sua crise afectiva e medo patológico de recorrer ao enraizamento mais profundo do amor larga a herança mais temerária de todas: a dissonância da comunicação associada também à compressão do tempo. A consequência desta situação é nas vivências do quotidiano gera-se a incapacidade para a intimidade. Tão fácil de verificar essa situação no filme num momento em que a mulher se levanta e atende o telefone e ele aproxima-se, saindo da cama a vestir-se. Situação curiosa?
A grande alegoria desta história é o conflito surdo, improvável entre a personagem e sua comunidade.
Fonte: Formiga