segunda-feira, junho 11, 2007

Alive! 07 - o segundo dia

Os White Stripes são uma banda de rock sujo, com várias influências d' outros estilos.
Pequenos pormenores mais uma vez não escaparam a uma observação mais atenta:
O Tema: " My Doorbell" foi tocado ao som de orgão estridente, em vez do piano grave e consistenste do original.
O tema "Blue Orchid" foi forte e intenso.
Talvez se a Meg tivesse usado a sua bela voz num dos temas tivesse encantado mais o público.
Do Smashing Pumpkings... faltou o "Ava Adore! em resposta tivemos encores coma uma guitarradas à Steve Vai que particularmente estão longe de fazer o meu género.

quinta-feira, junho 07, 2007

The White Stripes


Jack nasceu no dia 9 de julho de 1975 em Detroit. Um dos dez filhos de uma família católica, Jack aprendeu a tocar piano, guitarra e bateria. Participou de várias bandas quando adolescente, entre elas The Go e Two Star Tabernacle. Com 17 anos foi trabalhar no estúdio Muldoon e lá conheceu o dono, Brian Muldoon, com quem formou uma banda, mas não durou muito tempo.


Na mesma época ele conheceu uma empregada de mesa chamada Meg White, que se tornou sua grande parceira. Em 1996, eles casaram-se e, no ano seguinte, iniciaram a carreira musical com o nome de The White Stripes - ele na guitarra, ela na bateria e ambos nos vocais - sempre com roupas brancas e vermelhas, a dupla tem agradado crítica e fãs, com seu rock alternativo influenciado pelo punk, folk e blues.


O primeiro registro da dupla de Detroit, nos Estados Unidos, chegou em 1999, “White Stripes”. Foram dois anos seguidos em turnê, ao lado de Pavement e Sleater-Kinney, o que ajudou bastante a divulgar o disco nacionalmente. Os lançamentos de “De Stijl” (2000) e “White Blood Cells” (2001) aumentaram o reconhecimento da dupla e a turnê se tornou internacional, incluindo Austrália e Japão.


As consequências profissionais foram óptimas, participaram de programas de grande audiência, foram tema matérias em revistas conceituadas e receberam críticas positivas, mas na parte pessoal, a convivência não fez muito bem para o casamento que terminou na época de “De Stijl”. A música “Fell in Love Girl” ganhou uma versão em vídeo feita somente com peças do brinquedo Lego. Não podia ser diferente, o clipe foi indicado a quatro categorias do MTV Video Music Award, incluindo melhor clipe do ano.


O ano de 2003 foi bem especial para o White Stripes. Jack compôs para a trilha sonora de “Cold Mountain” e actuou no filme. O disco que consolidou de vez a carreira da dupla, “Elephant”, também foi lançado no mesmo ano e o álbum vazou pela Internet duas semanas antes de ser lançado, mas não prejudicou as vendas, permanecendo no topo da parada britânica e entre os 20 mais tocados nos Estados Unidos.


Gravado em apenas duas semanas, o disco se espalhou pelo mundo e recebeu inúmeras críticas positivas. No Grammy 2004 o resultado do trabalho: quatro indicações. Receberam dois prêmios, melhor álbum de música alternativa e melhor canção para “Seven Nation Army”.

Fonte: Canal da Música


Curiosidades:

  • Jack em 2006 participou no projecto: " The Raconteurs". Êxitos como: Steady As She Goes e Store Bought Bones, estão disponiveis para audição em:


  • Meg esteve em 2006 foi convidada a participar num desfile de moda pelas mãos do estilista norte-americano Marc Jacobs.
  • Jack é amigo do rei da música junky, Beck. Ambos participaram em concertos um do outro.
  • No tema "Seven Nation Army", os White Stripes, não tinham baixista, foi o próprio Jack a desempenhar essa função.
  • A maioria dos temas dos Stripes é feito a partir de acordes muito simples (rock minimalista), onde as guitarras soam sem complexos e o uso dos pratos é uma constante. Em "Little Room", Jack mostra uma capacidade vocal extrema.
  • Jack é muito religioso, em tempos pensou em ir para o seminário.
  • Os White Stripes têm fama de cobrarem cachets altos, deve ser por esse motivo que só se estream em Portugal em 2007, a 9 de Junho no Festival Oeiras Alive.

Discografia
  • The White Stripes (1999, Sympathy for the Record Industry)
  • De Stijl (2000, Sympathy for the Record Industry)
  • White Blood Cells (2001, Sympathy for the Record Industry)
  • Elephant (2003, V2 Records, XL Records)
  • Get Behind me Satan (2005, V2 Records, XL Records)
  • Icky Thump (2007), este disco foi lançado esta semana poucos dias antes do concerto em Portugal.





sábado, maio 12, 2007

A Gaivota de Anton Tchekov


Tradução Fiama Hasse Pais Brandão

Encenação Luis Miguel Cintra

Cenário e figurinos Cristina Reis

Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção

Distribuição Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, José Manuel Mendes, Márcia Breia, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Rita Loureiro, Teresa Sobral, Tiago Matias

Teatro Municipal de Almada www.ctalmada.pt

10 a 13 e 16 a 20 de Maio de 2007

Teatro do Bairro Alto, Lisboa

De 31 de Maio a 24 de Junho de 2007

De 3ª a sábado às 21:00

domingo às 16:00


Trepelev sentia o apelo de reinventar a arte de escrever teatro? Ou era sobretudo a vontade de manter um confronto com o amante da mãe, Trigorine?

As suas histórias sem intriga, descritivas eram entediantes para o público, longe de trabalhar sob a base do quotidiano das pessoas, os assim falhanços sucediam-se.

Sua namorada cooperante numa primeira instância desacredita o projecto e a pessoa, o companheiro de jornada.

Nina, de seu nome, parte de falsos pressupostos, idealiza um mundo de glamour ao tornar-se actriz, quer para si a fama e o êxito de Arkadina, a mãe de Trepelev, uma actriz de sucesso. Apaixona-se por Trigorine, mais tarde essa relação é dissolvida e fica só e na miséria. Teve um filho do escritor que morreu.

Se o antigo namorado era a eterna promessa da escrita, Nina era uma actriz medíocre que cada mais era remetida para a província bem perto dos pequenos palcos.

Trepelev valorizava os símbolos, conjugava-os sobretudo nas suas obras, e depois quase por inevitabilidade percepcionou neles a predição de uma ruptura.

A gaivota é o símbolo universal da liberdade. Ora a vontade alheia no direito pleno de gozo dessa mesma liberdade constituiu um desvio, nesta situação só haveria o tal caminho a trilhar: o competir e… vencer. Escrever contos e estes serem aclamadoa pela critica e ganhar reputação. E com isso também o secreto desejo do regresso da amada…

Os sucessivos falhanços, o regresso clandestino da amada e reiteração do abandono, num discurso que fala de fé como valor supremo do teatro e da representação mas tão delator quanto possível por mostrar desespero, leva o rapaz ao suicídio.

Muito mais poderia ser escrito acerca desta peça… fica o essencial.

A sala com 450 m2 “à italiana” detém a segunda maior boca de palco, logo atrás da sala do Centro Cultural de Belém. Cadeiras vermelhas, corrimões originais. formiga

Frase:

Sabemos que não se vai longe por impressões”.

“Se eu me casar deixo de ter tempo para o amor”

“Só é belo o que é relevante”

“Perdi tudo, tudo! Deixar de gostar de mim e não consigo escrever”




domingo, maio 06, 2007


Ser é ser visto.

Ver é trazer à existência.

Eu sou como sou visto. Olhas-me e eu

sou criado por ti.

Olho para ti e criei-te.

Sou o reflexo na superfície

dos teus olhos .

Estou ali para que me possas ver.

Vejo os meus olhos no espelho dos teus olhos. Vejo-me a

ver-te veres-me.

“The Mediations of Joseph C. Merrick” – The Elephant People, Daniel Keene

Segundo o jornal MAISTMA o novo espectáculo de Keene (Elephant People), uma ópera a estrear em Julho de 2007 em França, abre com as meditações de Joseph C.
Merrick (1862-1890) – o Homem Elefante (transposto por David Lynch em 1980)

CLICAR NA IMAGEM PARA SABER MAIS


domingo, abril 29, 2007

PEDRA, PAPEL E TESOURA de Daniel Keene

Fonte: Companhia de Teatro de Almada

Clicar na imagem para ter acesso à toda documentação

Encenação de Jorge Listopad
INTÉRPRETES
António Banha, Catarina Ascensão, José Wallenstein, Maria Arriaga
TRADUÇÃO Maria Arriaga
CENÁRIO António Casimiro
LUZ José C. Nascimento
FIGURINO Sofia Vilarinho

produção da COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA
Criação

O teatro experimental é como um laboratório de perspectivas, onde cada espectador encontra o inesperado.
Da peça pouco deve ser dito, por estar ainda por mais umas semanas em cena. Mas é de salientar dois pormenores curiosos.
Antes da peça começar na sala, pelos diversos espaços junto do público, a narradora andava com copos de whisky
e vinho. O significado é óbvio.
O cão, personagem também apareceu no grande átrio de entrada.
Eu fiquei a um passo dos actores
(linear) em diversas cenas quase que tive que me desviar...

As personagens expressam-se a partir de um discurso partido, e é possível perceber a anti-evolução da história, procura-se antes mostrar como tudo é demasiado igual.
Uma das frases ditas por Kevin:

"Por que é que já não pode acontecer mais nada?!"

Formiga

domingo, abril 22, 2007

A TRAGÉDIA DE JÚLIO CÉSAR de William Shakespeare



CLICAR NA IMAGEM PARA VER MAIS SOBRE ESTA PEÇA


Tradução
José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra

Encenação Luis Miguel Cintra

Cenário e figurinos Cristina Reis

Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção

Música original Vasco Mendonça

Elenco André Silva, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Edgar Morais, Filipe Costa, Hugo Tourita, Ivo Alexandre, Joaquim Horta, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Luís Lucas, Martim Pedroso, Pedro Lamas, Nuno Lopes, Nuno Gil, Pedro Lacerda, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Tiago Matias, Teresa Sobral, Tónan Quito e Vítor de Andrade.

Músicos Gonçalo Marques trompete, Marco Santos percussão, Nuno Costa guitarra.

Co-produção com o São Luiz Teatro Municipal


Foi há quatro anos que assisti à peça Tito Andrónico, da Cornucópia, na sala principal do Teatro Nacional D. Maria II. Nessa data percebi que Luís Miguel Cintra era um bom actor, apreciei o seu desempenho nesta peça que em parte marcou o desenrolar dos acontecimentos da minha vida.
A tal ingenuidade acerca da grandeza do encenador e actor Luís Miguel Cintra não fazia espécie de contraste acerca da autopercepção de valor e predisposição para disputar novos desafios.

Se muitas coisas diferentes hoje são, muito se mantém numa aparência de estacidade enganadora. Essa condição de dinâmica latente pode gerar uma leve descrença.
O nome deste blog: Formiguinha da Terra é uma homenagem a todos que persistem contrariar suas naturezas que por vezes pareciam ser impostas por outros, os cépticos.
Nessa época uma pessoa soube acreditar... uma professora em fim de carreira foi além de sua competência, soube dar amor. A dedicação, o mostrar que tudo seria possível, se déssemos tempo ao tempo, por ventura, o único e legitimo pedido: tempo.
A resignação deu lugar a um ambicioso projecto de vida que nestes dias vai dando os seus frutos.
Esta digna senhora recebeu pouco mais do que entusiasmo e correspondência aos seus bons conselhos.
Talvez uma vontade sua de auto-realização ou uma ideologia. Porquê nós? Nem todos podem ser os escolhidos. Eu fui.
A vontade própria aliada a alguém que insiste na revelação do nosso valor, mesmo que quase todos digam: "Não vai conseguir! O melhor é desistir!"
É por essa razão que essas pessoas, visionárias, embutidas de fé e esperança, sem fazerem perguntas, sem muito saber acerca de nossas vivências passadas geram autênticos milagres. É caso para afirmar que estas coisas simples têm um tremendo valor.

Andrónico foi tomado como louco numa loucura consentida, mas fingida.
Essa parte do texto é ainda recordada de forma entusiástica. No entanto parecia passados alguns meses vir sinais de arrependimento e pensar que assistir a esta peça tinha sido um erro.
Havia qualquer coisa a incomodar, uma querença crescente.
No palco da vida aprendiam-se coisas novas, por exemplo: a tolerância só existe quando não se incomodam os outros. Mais tarde o Dr. Laborinho Lúcio no Congresso da Prosalis desmistifica o conceito e sem tabus reforçou esta ideia.
As mudanças geram respostas abrasivas. Mas quando o sistema está viciado apenas conta sobreviver. Se Tito acabou a história vivo, já não tenho comigo essa lembrança, mas tenho a convicção que tudo fez para manter sua dignidade, mesmo pagando o preço mais elevado de todos: a sua reputação. O discurso contraditório servia para o tornar menos credível e como consequência foi alvo de chacota. Por fim salvou sua honra.

Da peça de 22 de Abril, último dia de representação poder-se-á dizer que durou três horas e meia com um intervalo de dez minutos.
Gosto da temática, ainda estou a digerir o texto e todo o simbolismo posto na encenação.
Uma primeira ideia gera esta premissa de que uma atitude de complacência e uma boa conduta ética são recusadas por uma sociedade manipulada pela dialéctica de Marco António.
As intenções verdadeiras de cada um não estão inscritas em lado nenhum, e acabam por ser as circunstâncias a ditarem leis.
No entanto, no meio de uma guerra sangrenta, o imprevisível: o reconhecimento da honestidade de Bruto, após sua morte.


A encenação é inteligente, todas as portas, todo o espaço envolvente é usado pelas personagens. Quando as personagens entram em cena vão encontrar os mantos dobrados em cima das cadeiras da primeira fila.
Os actores estiveram por momentos nas costas do público, nas laterais, com e sem falas. Tudo para dar o ambiente da Roma antiga.


O Teatro Municipal de S. Luiz é uma sala bonita, em talha dourada. O tecto tem uma pintura de anjos e por cima do palco a cabeça dourada de um leão.
A sala está repleta de cadeiras vermelhas, tem camarotes em vários níveis e talvez também galerias.
O átrio de entrada é alegre, os funcionários usam uma farda à antiga.
As pessoas do público tinham o aspecto, das pessoas que ao teatro costumam ir: A tal cultura do teatro, parece tentar à encenação do próprio corpo.

Com uma peça tão longa carecia antes uma boa refeição tomar. O lugar escolhido, repare-se que é mais do que um simples espaço, o Café S. Luiz é mesmo o lugar onde se juntam pessoas interessantes.
E a ementa é no mínimo criativa. A minha escolha recaiu numa bebida Indiana de Especiarias (leite quente com cardamomo, gengibre, canela e cravinho) e um Muffin de queijo e tomilho (doce de pêssego, figos e nozes). O serviço eficiente e de uma simpatia aprazível.


As passagens preferidas do Formiga:

"Tu dormes Bruto, acorda";


"Ai Cássio estou doente de muitas penas";

"Matar é palavra de ordem. Está na moda" (Bruto)

"Espanta-me que este homem de fraca figura possa estar à frente de uma mundo tão majestoso!"


DEDICO ESTE TÓPICO AO AMIGO ANDRÉ, QUE CONSTRUI UM BLOG ACERCA DO USO DO PODER: www.usodopoder.blogspot.com

Formiguinha



quarta-feira, abril 18, 2007

Dúvida


Teatro Maria de Matos

Dúvida

Sala Principal
Em cena de 27-03-2007 a 06-05-2007

de John Patrick Shanley

encenação Ana Luísa Guimarães

4ª a sáb. às 21H30 | domingo 17H





1964. Uma igreja e escola católicas. Bronx, Nova York.
Um Padre é suspeito de assediar sexualmente uma criança de 12 anos.
A Madre Superiora acusa-o. O Padre reclama a sua inocência.
Será ele culpado ou inocente?

Fonte: Teatro Maria de Matos

Interpretação Eunice Muñoz, Diogo Infante, Isabel Abreu e Lucília Raimundo

M/16


Solidão não pedida, por vezes quase rejeitada por motivo da dúvida. O lado mais perturbador da consciência é a face mais genuína do silêncio, a loucura íntima que se deve à incapacidade de não nos termos como culpados, a pensar amiúde, sem descanso nas linhas que separam a solidão do abandono se confrontados os não factos com a realidade.
Então é possível pensar na solidão apenas por nos sentirmos sós, mas no abandono estamos sós efectivamente. É a consequência de não acreditarmos nos gestos significantes. No entanto o pior preço a ser pago pelo desmazelo da honra alheia em última instância é a insanidade. A Madre Superior de Shanley com uma propensão natural para o conflito, a descrença nas atitudes de todas as pessoas da sua comunidade acaba por fazer soar a velha máxima: "Se não compreendes, vês incerteza ou invejas o próximo, então mais cedo ou mais tarde tudo se reverterá a ti, próprio". A velha Madre acabou a duvidar de si mesmo.
Quem não se soube de escusar do baú das desconfianças espalhou sofrimento por toda a parte, a começar nas crianças como primeiras vítimas.
Acerca do Padre e a irmã professora poder-se-á afirmar que foram percursores de uma nova dinâmica de vivência plena cristã, as mudanças fazem-se dessas tensões e distensões. As subtilezas do quotidiano inseridas num contexto de Fé que por sua vez é nosso guia, porque somos seres do mundo unos. Estas ideias estão explicitas nos textos do Concilio II do Vaticano.
Ainda somos todos pequeninos perante a riqueza de textos do Concilio II, a diferença entre apenas se cumprirem rituais ou constituirmos um corpo. Belissima interpretação de Eunice Muñoz e Diogo Infante.
Formiguinha