quinta-feira, setembro 13, 2007

De Trakl a "Moonstruck"


Não há um Trakl enganador em toda a agonia do seu processo criativo a transparecer na sua obra.
O mito do escritor fingidor parece neste “Outono Transfigurado” não ter razão de ser. Existe sim uma inter-ligação perfeita e intrínseca entre o vivido, o sofrido e a produção literária.
Os belos tons onirícos são construídos a partir do percurso de descrença na Cristianismo, neste poema retirado poder-se-á entender uma descrição da Paixão e uma alusão à consagração. Deus é criado pelo sentido da culpa e medo do homem, que apenas caminha para o fim, num mundo desencantado.
Trakl não deixa de ser revelador de congruência. Classificado de negativista, consegue uma mordaz critica ainda tão válida nos dias de hoje.
Os rituais cristãos partem de um compromisso que nos leva a agir de acordo com crenças que podem advir de diversas motivações.
Eis uma fronteira que serve de ponto de reflexão ao ser focado a diferença entre normas ao serviço de si próprias ou toda a doutrina a ser aplicada na vida de todos dias.
Outra questão é saber se a defesa de uma certa ideologia pode ser uma maquilhagem com o propósito de esconder frustrações e recalcamentos, o tal mecanismo de defesa, já abordando o processo de socialização.
E o modo como se pode hostilizar alguém, num (des)afecto descontrolado, neste ponto estamos bem longe já da simples ideologia.
A formação reactiva de uma atitude pode ter coisas tão simples como afirmar: Odeio viajar (uma simples maneira de defender o Ego quando afinal não se tem capacidade económica para tal), não assumimos o que apreendemos da realidade.
Podemos ser militantes passivos ou agressivos. Há duas ou três passagens do filme o
“Amor Acontece” (“Love Actually”) que desmontam estas ideias de forma simples. Quem viu este filme, basta recordar o tal amigo do noivo que tinha um relacionamento conflituoso com a noiva.
No entanto em “Moonstruck” pergunta-se: “Onde está a vida?”
Aqui pode-se entrever o fiel fingidor, aquele que ama a mulher bela, mas defende o tal desamor, numa revolta de pacotilha… a história evolui com aquele virar de mesa. E duas vivências distintas empolgam-se num enamoramento arrebatado com direito a ópera e tudo!!Formiga

terça-feira, setembro 11, 2007

Georg Trakl


Revelação e Decadência


Estranhos são os caminhos nocturnos do homem. Quando eu, sonâmbulo, passa por quartos de pedra e em cada um ardia tranquila uma candeia, um candeeiro de cobre, e quando, cheio de frio, caí na cama, lá estava o rosto à cabeceira a sombra negra da forasteira, e em silêncio escondi o rosto nas mãos nas mãos lentas. À janela, o jacinto azul tinha também desabrochado, e aflorava aos lábios púrpura a velha oração no respirar do homem, caíam das pálpebras lágrimas de cristal, vertidas por este mundo amargo. Nessa hora eu era na morte do meu pai, o filho branco. Com as chuvadas azuis vinha da colina o vento nocturno, o sombrio lamento da mãe, de novo a morrer e eu vi o inferno negro no meu coração; minuto de silêncio reverberante. Silencioso, saiu de um muro caiado um rosto indizível – um jovem moribundo -, a beleza de uma estirpe que regressa a casa. Branca de lua, a frescura da pedra envolveu a fronte vigilante, foram morrendo os passos das sombras nos degraus em ruínas, no pequeno jardim uma dança de toda rosada.

Estava sentado em silêncio na taberna abandonada, debaixo das traves de madeira negras de fumo, solitário com o vinho; um cadáver resplandecente curvado sobre um corpo escuro, e as meus pés um cordeiro morto. A pálida figura da irmã saiu do azul em decomposição, e então falou a sua boca em sangue: picada de espinho negro. Ah, vibra-me ainda nos braços argênteos a violência das trovoadas. Corre, sangue, dos pés lunares florescendo nos atalhos da noite por onde passa a ratazana a chiar. Cintilai, estrelas, nas abóbadas das minhas sobrancelhas; e de mansinho ecoa o coração na noite.
Uma senhora vermelha com espada flamejante entrou na casa, fugiu com a fronte de neve. Oh, amarga morte.
E em mim ergue-se uma voz grave: Quebrei o pescoço ao meu cavalo na floresta nocturna, quando a loucura lhe saltou dos olhos púrpura, cariam sobre mim as sombras dos ulmeiros, o charco azul da fonte e a frescura negra da noite, caçador selvagem, perseguia um veado de neve, no inferno de pedra morreu o meu rosto.

E uma gota brilhante de sangue caiu do solitário; e quando dele bebi era mais amargo que a papoila; uma nuvem enegrecida envolvia-me a cabeça, as lágrimas de cristal dos anjos caídos; e de mansinho escorria o sangue da ferida argêntea da irmã, e uma chuva de fogo caiu sobre mim.(...)

Georg Trakl

1992 Outuno Transfigurado. Assírio&Alvim, Documenta poética, 103 e 105 pp Edição 325


Clicar na referência bibliográfica para ver nota do editor

sábado, agosto 25, 2007

Hamlet


Teatro
HAMLET
Sala Principal

13 de Setembro a 21 de Outubro

4ª a sáb. às 21H30 | dom. às 17H00M/12

Espectáculo comemorativo dos 50 anos de Carreira de João Mota e dos 35 anos da Comuna.

tradução Sophia de Mello Breyner Andresen
adaptação e dramaturgia João Maria André
encenação João Mota | cenografia José Manuel Castanheira
figurinos Carlos Paulo | música José Pedro Caiado
interpretação Albano Jerónimo, Alexandre Lopes, Ana Lúcia Palminha, Carlos Paulo, Diogo Infante, Frédéric Pires, Gonçalo Ruivo, Hugo Franco, João Ricardo, João Tempera, José Pedro Caiado, Jorge Andrade, Miguel Sermão, Natália Luíza e Raúl Oliveira
execução musical Hugo Franco e José Pedro Caiado
desenho de luz João Mota e Zé Rui
co-produção Comuna Teatro de Pesquisa e Teatro Maria Matos


Pinturas:


  • Ophelia, Arthur Hughes, c. 1863-64
  • Retrato em que a culpa de Claudius é relevada, Desenho de Daniel Maclise (1842) ------> clicar Hamlet no topo






segunda-feira, agosto 13, 2007

O Homem caiu no engodo de uma papoila

O homem caiu no engodo de uma papoila.

O crivo do desejo é náusea ainda distante.

Rarefeito o gesto perdido...

Tombou num jogo entediante,

Estás proscrito, meu querido!

Perfeito juízo sentido,

na escala do corpo ausente

a criatura alimenta-se.

Formiga




sábado, julho 28, 2007

Jean Baudrillard


Excertos do livro: "As Estratégias Fatais de Jean Baudrillard sobre os seguintes temas:


Amor:

“O amor é o fim da regra e o princípio da lei. É o princípio de um desregramento, em que as coisas vão ordenar-se segundo o afecto, o investimento afectivo, isto é, uma substância pesada, pesada de sentido, e não segundo um jogo de signos, substância mais leve, mais dúctil, mais superficial. Deus vai amar as suas criaturas e o mundo deixará de ser um jogo. Foi tudo isso que nós herdamos – e o amor é tão-só o efeito desta dissolução das regras e da energia libertada pela fusão. A forma oposta ao amor passa a ser, pois a sua observância: onde quer se reinventem uma regra e um jogo, o amor desaparece. Relativamente à intensidade regulada e altamente convencional do jogo ou da cerimónia, o amor é um dispositivo de energia livre de circulação. Está portanto, carregado de toda a ideologia da libertação; é o pathos da modernidade.”

Página: 87 e 88


Paixão:

(...)
“Amar alguém é isolá-lo do mundo. É apagar as suas marcas, despossá-lo da sua sombra, arrastá-lo para um futuro destruidor. É girar à sua volta como um astro morto e absorvê-lo numa luz negra. Tudo se joga numa exigência de exclusividade sobre o ser humano, qualquer que seja. É por isso mesmo, sem dúvida, que é uma paixão: é que o seu objecto é interiorizado como um fim ideal e nós sabemos que não existe objecto real, a não ser morto.”

Página: 88


Sedução:

“Só a sedução toca no âmago da alma que não encontra repouso a não ser na destruição.
Daí resulta aquilo a que chamarei o génio maléfico da paixão.
(…) que espreita a oportunidade de apanhar o outro na armadilha.”

Página: 94

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Jean Braudrillard

1991 As Estratégias Fatais. Editorial Estampa, Colecção Margens, 159 pp 1º ed.

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segunda-feira, junho 11, 2007

Alive! 07 - o segundo dia

Os White Stripes são uma banda de rock sujo, com várias influências d' outros estilos.
Pequenos pormenores mais uma vez não escaparam a uma observação mais atenta:
O Tema: " My Doorbell" foi tocado ao som de orgão estridente, em vez do piano grave e consistenste do original.
O tema "Blue Orchid" foi forte e intenso.
Talvez se a Meg tivesse usado a sua bela voz num dos temas tivesse encantado mais o público.
Do Smashing Pumpkings... faltou o "Ava Adore! em resposta tivemos encores coma uma guitarradas à Steve Vai que particularmente estão longe de fazer o meu género.

quinta-feira, junho 07, 2007

The White Stripes


Jack nasceu no dia 9 de julho de 1975 em Detroit. Um dos dez filhos de uma família católica, Jack aprendeu a tocar piano, guitarra e bateria. Participou de várias bandas quando adolescente, entre elas The Go e Two Star Tabernacle. Com 17 anos foi trabalhar no estúdio Muldoon e lá conheceu o dono, Brian Muldoon, com quem formou uma banda, mas não durou muito tempo.


Na mesma época ele conheceu uma empregada de mesa chamada Meg White, que se tornou sua grande parceira. Em 1996, eles casaram-se e, no ano seguinte, iniciaram a carreira musical com o nome de The White Stripes - ele na guitarra, ela na bateria e ambos nos vocais - sempre com roupas brancas e vermelhas, a dupla tem agradado crítica e fãs, com seu rock alternativo influenciado pelo punk, folk e blues.


O primeiro registro da dupla de Detroit, nos Estados Unidos, chegou em 1999, “White Stripes”. Foram dois anos seguidos em turnê, ao lado de Pavement e Sleater-Kinney, o que ajudou bastante a divulgar o disco nacionalmente. Os lançamentos de “De Stijl” (2000) e “White Blood Cells” (2001) aumentaram o reconhecimento da dupla e a turnê se tornou internacional, incluindo Austrália e Japão.


As consequências profissionais foram óptimas, participaram de programas de grande audiência, foram tema matérias em revistas conceituadas e receberam críticas positivas, mas na parte pessoal, a convivência não fez muito bem para o casamento que terminou na época de “De Stijl”. A música “Fell in Love Girl” ganhou uma versão em vídeo feita somente com peças do brinquedo Lego. Não podia ser diferente, o clipe foi indicado a quatro categorias do MTV Video Music Award, incluindo melhor clipe do ano.


O ano de 2003 foi bem especial para o White Stripes. Jack compôs para a trilha sonora de “Cold Mountain” e actuou no filme. O disco que consolidou de vez a carreira da dupla, “Elephant”, também foi lançado no mesmo ano e o álbum vazou pela Internet duas semanas antes de ser lançado, mas não prejudicou as vendas, permanecendo no topo da parada britânica e entre os 20 mais tocados nos Estados Unidos.


Gravado em apenas duas semanas, o disco se espalhou pelo mundo e recebeu inúmeras críticas positivas. No Grammy 2004 o resultado do trabalho: quatro indicações. Receberam dois prêmios, melhor álbum de música alternativa e melhor canção para “Seven Nation Army”.

Fonte: Canal da Música


Curiosidades:

  • Jack em 2006 participou no projecto: " The Raconteurs". Êxitos como: Steady As She Goes e Store Bought Bones, estão disponiveis para audição em:


  • Meg esteve em 2006 foi convidada a participar num desfile de moda pelas mãos do estilista norte-americano Marc Jacobs.
  • Jack é amigo do rei da música junky, Beck. Ambos participaram em concertos um do outro.
  • No tema "Seven Nation Army", os White Stripes, não tinham baixista, foi o próprio Jack a desempenhar essa função.
  • A maioria dos temas dos Stripes é feito a partir de acordes muito simples (rock minimalista), onde as guitarras soam sem complexos e o uso dos pratos é uma constante. Em "Little Room", Jack mostra uma capacidade vocal extrema.
  • Jack é muito religioso, em tempos pensou em ir para o seminário.
  • Os White Stripes têm fama de cobrarem cachets altos, deve ser por esse motivo que só se estream em Portugal em 2007, a 9 de Junho no Festival Oeiras Alive.

Discografia
  • The White Stripes (1999, Sympathy for the Record Industry)
  • De Stijl (2000, Sympathy for the Record Industry)
  • White Blood Cells (2001, Sympathy for the Record Industry)
  • Elephant (2003, V2 Records, XL Records)
  • Get Behind me Satan (2005, V2 Records, XL Records)
  • Icky Thump (2007), este disco foi lançado esta semana poucos dias antes do concerto em Portugal.