Das confrotanções entre Frank e o livro: "Filosofia do Tempo" de Roberta Ann Sparrow, Donnie produziu este poema:
O cinema Quarteto e King são a grande referência para os amantes deste estilo de cinema.
Formiga
"Mas quem tratou de me amar soube estancar o meu sangue e soube erguer-me do chão." Sérgio Godinho

Jacques Lacan, em 1958/59, no Seminário
Lacan mostra como funciona a relação do sujeito
Para compreender o universo shakespeariano à luz do pensamento de Lacan existe um livro da Editora Assírio@Alvim: Shakespeare, Duras, Wedekind, Joyce
Da Escola Lacaniana Brasileira e sobre Hamlet este texto revela carácter de excelência: TEXTO
Opinião de formiga acerca de Hamlet em cena no Teatro Municipal Maria de Matos:
Se nos abstrairmos das palavras, da peça e vermos só a cena em si onde Hamlet conversa com sua mãe é possivel perceber que nesta encenação não é sentida a tal proximidade excessiva, incomoditiva, onde existe o tal vinculo erótico.
Na sala Almeida Garret, no D. Maria II, Hamlet, não só repelia de forma convicta a sexualidade da mãe como manipulava o seu corpo, num diálogo mais intimo e menos repleto de convicção.
Parecia um Hamlet mais frágil, mais tonto, menos maquiavélico.
O simulacro na relação com a Ofélia constitui realidade.
O subjectivismo da pessoa pode conter todo o amor, mas se a discrepância entre o discurso proferido e as respostas observáveis, for elevada poder-se-á concluir que: NÃO. Ofélia nunca foi amada pelo Príncipe da Dinamarca. No fim da história é o arrastamento moral da perda que leva à falsa retroacção de um amor. Qual é o sentido do combate com Laertes? O contexto de amor proferido não serviria para evitar tal combate?
O discurso abrasivo e de ruptura (feito a Ofélia) é um simulacro de desamor? Ou é realidade perene e consistente?
O simulacro nunca é o que oculta a verdade
- é a verdade que oculta que não existe,
O simulacro é verdadeiro.
O Eclesiastes
... e depois a ausência do pai e do amado, e talvez a predição de uma conjectura ainda mais céptica, falha,leva Ofélia ao suicídio. No filme "Per Siempre" do cinema italiano, o único acontecimento: é ausência pelo silêncio. A personagem morre mas de doença, uma doença quase consentida, enfim deixa-me morrer. A culpa trespassa-se através da expressão de um amor à posteriori.
Na peça de William Shakespeare é o ambiente de conflito de denominação de homem sobre a mulher que determina tamanha vulnerabilidade de Ofélia, incapaz de resistir ao choque e adaptar-se a novas realidades.
O lugar 4 da fila A tem os seus privilégios, tais como ficar em zona frontal no momento que antecede o encontro furtivo com Hamlet, onde Ofélia rezava. Também uma bela oportunidade de perceber a capacidade de actriz Ana Lúcia Palminha no trabalho da expressão de rosto. Parecia o acaso, tamanha a naturalidade.
Ainda a referir o sempre usado jogo de espelhos, 7. E a questão em off "Quem está aí?" Somos nós. Sobre a peça encenada por João Mota existe um bom artigo na Revista Visão.
Sumário para consulta (online):
Jacques Lacan - Biografia e Bibliografia
Lacan - Cronologia
Shakespeare, Duras, Wedekind, Joyce - livro acerca do o universo shakespeariano.
TEXTO - Maria Thereza Ávila Dantas Coelho - Escola Lacaniana brasileira
Teatro Municipal Maria de Matos - sinopse
"Per Siempre" - filme italiano
Revista Visão - documentação especifica sobre a peça na consulta desta revista.
Referências bibliográficas:
O texto da Bíblia, de Eclesiastes: foi retirado da página 7 do livro "Simulacração e Simulação" de Jean Braudrillard.
1981 Simulacração e Simulação. Relógio d' Água, Colecção Margens, 1º ed.

Revelação e Decadência
Estava sentado em silêncio na taberna abandonada, debaixo das traves de madeira negras de fumo, solitário com o vinho; um cadáver resplandecente curvado sobre um corpo escuro, e as meus pés um cordeiro morto. A pálida figura da irmã saiu do azul em decomposição, e então falou a sua boca em sangue: picada de espinho negro. Ah, vibra-me ainda nos braços argênteos a violência das trovoadas. Corre, sangue, dos pés lunares florescendo nos atalhos da noite por onde passa a ratazana a chiar. Cintilai, estrelas, nas abóbadas das minhas sobrancelhas; e de mansinho ecoa o coração na noite.
Uma senhora vermelha com espada flamejante entrou na casa, fugiu com a fronte de neve. Oh, amarga morte.
E em mim ergue-se uma voz grave: Quebrei o pescoço ao meu cavalo na floresta nocturna, quando a loucura lhe saltou dos olhos púrpura, cariam sobre mim as sombras dos ulmeiros, o charco azul da fonte e a frescura negra da noite, caçador selvagem, perseguia um veado de neve, no inferno de pedra morreu o meu rosto.
E uma gota brilhante de sangue caiu do solitário; e quando dele bebi era mais amargo que a papoila; uma nuvem enegrecida envolvia-me a cabeça, as lágrimas de cristal dos anjos caídos; e de mansinho escorria o sangue da ferida argêntea da irmã, e uma chuva de fogo caiu sobre mim.
Clicar na referência bibliográfica para ver nota do editor
13 de Setembro a 21 de Outubro
4ª a sáb. às 21H30 | dom. às 17H00M/12tradução Sophia de Mello Breyner Andresen
adaptação e dramaturgia João Maria André
encenação João Mota | cenografia José Manuel Castanheira
figurinos Carlos Paulo | música José Pedro Caiado
interpretação Albano Jerónimo, Alexandre Lopes, Ana Lúcia Palminha, Carlos Paulo, Diogo Infante, Frédéric Pires, Gonçalo Ruivo, Hugo Franco, João Ricardo, João Tempera, José Pedro Caiado, Jorge Andrade, Miguel Sermão, Natália Luíza e Raúl Oliveira
execução musical Hugo Franco e José Pedro Caiado
desenho de luz João Mota e Zé Rui
co-produção Comuna Teatro de Pesquisa e Teatro Maria Matos

Amor:
“O amor é o fim da regra e o princípio da lei. É o princípio de um desregramento, em que as coisas vão ordenar-se segundo o afecto, o investimento afectivo, isto é, uma substância pesada, pesada de sentido, e não segundo um jogo de signos, substância mais leve, mais dúctil, mais superficial. Deus vai amar as suas criaturas e o mundo deixará de ser um jogo. Foi tudo isso que nós herdamos – e o amor é tão-só o efeito desta dissolução das regras e da energia libertada pela fusão. A forma oposta ao amor passa a ser, pois a sua observância: onde quer se reinventem uma regra e um jogo, o amor desaparece. Relativamente à intensidade regulada e altamente convencional do jogo ou da cerimónia, o amor é um dispositivo de energia livre de circulação. Está portanto, carregado de toda a ideologia da libertação; é o pathos da modernidade.”
Página: 87 e 88
Paixão:
(...)
“Amar alguém é isolá-lo do mundo. É apagar as suas marcas, despossá-lo da sua sombra, arrastá-lo para um futuro destruidor. É girar à sua volta como um astro morto e absorvê-lo numa luz negra. Tudo se joga numa exigência de exclusividade sobre o ser humano, qualquer que seja. É por isso mesmo, sem dúvida, que é uma paixão: é que o seu objecto é interiorizado como um fim ideal e nós sabemos que não existe objecto real, a não ser morto.”
Página: 88
Sedução:
“Só a sedução toca no âmago da alma que não encontra repouso a não ser na destruição.
Daí resulta aquilo a que chamarei o génio maléfico da paixão.
(…) que espreita a oportunidade de apanhar o outro na armadilha.”
Página: 94
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Jean Braudrillard
1991 As Estratégias Fatais. Editorial Estampa, Colecção Margens, 159 pp 1º ed.
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