quinta-feira, abril 03, 2008






O Dia Internacional do Teatro celebra-se a 27 de Março.
Neste dia (noite) no Chapitô conheci a grande Senhora do mundo do espectáculo: Teresa Ricou. O saber bem-fazer e o bem saber receber nesta casa com quase 30 anos é uso e costume.
No Bartô as amigas de Formiga ficaram em local privilegiado para assistir ao último espectáculo da noite com Deborah Kristal.
Para conhecer mais acerca do Chapitô e a sua faceta social, também como uma instituição de solidariedade, ver aqui: Artigo de Jornal
A noite começou com uma coregrafia de dança com forte e denso simbolismo e depois o actor Bruno Schiappa e o músico Pedro Fontaínhas estiveram no (I)mortal, um espectáculo ao som de piano com boas canções e poesia com um sentido antropológico interessante.


A grande convidada da noite foi Adelaide João, actriz com muito relevo na história do teatro português.
Também foi possível vislumbrar mais gente do teatro, entre vários, o conhecido actor Miguel Melo (Batanetes).
Momento solene foi a leitura da mensagem do Dia Mundial do Teatro pela actriz e encenadora do Teatro Sensurround, Lúcia Sigalho.
Mensagem de Robert Lapage

(…) ---> clicar para ver o texto na integra

sábado, março 08, 2008

Linha do Tua


"É verdade que Trás-os-Montes se presta dificilmente à abertura de linhas férreas. A construção de alguns trechos das linhas do Corgo e do Tua ofereceu duras e dispendiosas dificuldades. É o que se verifica de modo exemplar, logo a montante da confluência do Tua, nos primeiros quilómetros cortados em rocha viva, , ora em pequenos e consecutivos túneis, ora em patamares e viadutos lançados sobre impressionantes desfiladeiros."

In Guia de Portugal (Trás-os-Montes e Alto-Douro), Fundação Calouste Gulbenkian, página 53


O blog Pimenta Negra - Explica como foi o nascimento do Movimento Cívico pela Linha do Tua o que é defendido por este, contém também a cronologia histórica da criação da linha de via estreita do comboio do Tua.
Para quem não teve o prazer de desfrutar da viagem de comboio nesta linha tem disponível um vídeo em ambos os sites.


Artigo do Jornal de Notícias ( Terça-feira, 23 de Agosto de 2005)


O Formiga...

Longe das origens da família de formiga, a primeira região de Portugal a despertar interesse foi Trás-os-Montes e Alto Douro.
Mas era pouco provável sair de casa se não constasse no programa este percurso sublime e majestoso do Tua.
Notei que as carruagens eram do início do século XX, de origem Britânica creio eu.
Os primeiros quilómetros pareciam prometer pouco, mas se o belo existe, então está nesta viagem de comboio. O amor à natureza faz com facilidade esquecer alturas tremendas. A velha máquina diesel adere a uma curva com sua parte da estrutura no ar, está-se à beira do princípio e não se teme a queda, pelo contrário, sustente-se no fascínio.
E as sequências improváveis, tal como um túnel, um viaduto alto e logo outro túnel, depois o tal conjunto de curvas e contra curvas.
Espero a possibilidade de repetir esta experiência. Entretanto procurei ajudar à divulgação e
defesa da Linha do Tua!
formiga





sábado, fevereiro 23, 2008

Poesia


"A poesia é a própria consciência existencial do Homem, sublimada até um grau desconhecido no comum dos mortais: consciência jubilosa e dividida no esforço de existir, que é a própria vida; consciência daquele combate que dilacera o Homem, do repouso, do equilíbrio em que se ele encontra momentaneamente a unidade, logo quebrada, e depois readquirida e mais uma vez rompida, na alternância perpétua que só pode ter fim na união perfeita do ser imitado a imperfeito com a ilimitada perfeição do Ser Absoluto, em que, somente há unidade e paz."

Carvalho, de José Gonçalo Herculano, Conhecer Poético e Símbolo, Lisboa, Univ. de Lisboa, Fac. de Letras, 1971, p. 7.

sábado, janeiro 19, 2008

Associação Encontrar+se lança movimento “Unidos para Ajudar”



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A Coordenadora do Projecto: Filipa de Almeida Santos Pacheco Palha
Doença Mental: Associação lança campanha anti-estigma
A ENCONTRAR+SE - Associação de Apoio às Pessoas com Perturbação Mental Grave anunciou hoje que vai lançar em Janeiro uma campanha anti-estigma para promover a reabilitação psicossocial dos doentes mentais.
Em declarações à Lusa, a vice-presidente da ENCONTRAR+SE, Maria Luísa Vieira de Campos, adiantou que esta campanha passa pela colocação de outdoors em todo o país, passagem de spots na televisão.
Será também lançada uma «música para a saúde mental», que conta com a colaboração de cerca de 20 músicos e artistas nacionais, entre eles Zé Pedro (Xutos & Pontapés) e Rui Veloso.
«Está mais do que provado que as pessoas que sofrem de uma doença mental grave, como bipolar, esquizofrenia e depressão, têm dificuldades em se inserir na comunidade», afirmou a psicóloga, que falava à margem do debate «A Saúde Mental Um Mundo em Mudança: O Impacto da Cultura e da Diversidade», a decorrer hoje no Porto.
Segundo referiu, a ideia é lançar uma campanha que faça a população perceber que estas pessoas são doentes e não podem ser excluídos devido à sua doença.
«Só os poderemos ajudar se não os excluirmos», sustentou, acrescentando que a ausência de respostas integradas de reabilitação tem condicionado a possibilidade de recuperação de muitas pessoas com doença mental grave.
A responsável referiu ainda que «uma em cada quatro famílias tem alguém com uma doença mental grave».
O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Adriano Vaz Serra, salientou também a importância do combate ao estigma, afirmando que «os doentes psiquiátricos são lesados nos seus direitos humanos, na maioria dos países», a nível profissional, social e económico, vendo, por exemplo, ser-lhes recusado crédito à habitação.
«Ter um braço partido é incomodativo, mas quando se tem um transtorno psiquiátrico tem de se saber que há zonas do cérebro que têm disfunções e que isto afecta a vida», salientou.
Naquele que é o Dia Mundial de Saúde Mental, a ENCONTRAR+SE comemora o seu primeiro ano de vida apresentando ainda o Mestrado em Reabilitação Psicossocial, organizado em parceria com a Universidade Católica.
Este mestrado «inovador», adiantou Luísa Vieira de Campos, pretende «treinar técnicos para a reabilitação de pessoas com doença mental grave na comunidade».
O próximo passo desta associação é ficar dotada de um espaço próprio, onde possa apoiar doentes e familiares.
«A ENCONTRAR+SE enquadra-se numa filosofia assistencial que se baseia num modelo científico, ou seja, os serviços a prestar partem de boas práticas orientadoras da acção e processam-se através de planos integrados e individuais de reabilitação», refere a nota hoje distribuída pela associação.
Acrescenta que os planos «serão objecto de contínua avaliação no sentido de estudar a sua eficácia, possibilitar a introdução de melhorias e produzir evidência quanto à relação custo/benefício das mesmas».
Diário Digital / Lusa
10-10-2007 14:56:12


Para consultar:

Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e bipolares


"Deixa lá que ele não joga com o baralho todo ou dá-se um desconto". Este Blog vem desmistificar essa forma redutora de tratamento pessoal a pessoas com problemas de saúde mental.
Blog:
"Cuidar sim, Excluir não!"

Acerca da campanha no Diário Digital - Músicos portugueses combatem estigma da doença mental


quarta-feira, dezembro 26, 2007

O Vício do Poder

in Traição do eu – o medo da autonomia no homem e na mulher, Arno Gruen

Páginas: 83, 84 e 85


“O vício do poder destrói o coração do homem. Insistindo cegamente em tal defeito, o homem diminui-se a si próprio e à mulher, de cuja cumplicidade precisa, para confirmar a sua imagem de poderoso. É esta imagem que, conscientemente ou não, se tornou o sentido da sua existência. Verdadeiro amor não pode surgir porque ninguém está para ser desafiado nos seus pontos sensíveis. Só o que confirme tal imagem é considerado aceitável numa relação “amorosa” dessas. O “Eu” que teria sido possível a cada um é odiado, como ele inclui, também, a vivência do desamparo e do sofrimento. Evita-se a verdadeira responsabilidade, assim como a verdadeira compreensão do outro e de nós próprios. Vivemos em charadas e quando essas não resultam, enfurecemo-nos e matamos.

Passamos as nossas vidas à procura de heróis. E, no momento em que elegemos para nosso herói (ou nossa heroína) se transforma numa pessoa real, deixamo-lo (ou –la). Passamos a desprezá-lo. Ao agirmos assim nem reparamos como, e dentro da lógica do nosso procedimento, nos sentimos enfraquecidos pela perda” – próximos da morte. A depressão e o desespero que constituem o pano de fundo da nossa cultura aparentemente tão radiante são sintomas inequívocos disso.”

(…)

O homem cria a imagem de poder, de controlo, de invulnerabilidade, no fundo uma necessidade de agir como um herói porque foge da realidade, que contém sofrimento e desamparo. Essa “metafísica do sucesso” pode ser uma máscara de alegria.


“Como é natural, a realidade do mundo sentimental verdadeiro consiste, também, noutros conteúdos vivenciais: alegria, êxtase, coragem e luto.

Mas não da alegria que se instala por passarmos à frente de alguém, ou o êxtase que pode ser causado pelo sucesso obtido numa competição, quer dizer, todas aquelas vivências que, já de si, provém de uma realidade “postiça”: a da necessidade de ter sucesso para fugir ao falhanço. Falo da alegria baseada em empatia causada pelo desenvolvimento de outra pessoa, ou até de uma planta; a vivência partilhada de alegrias e tristezas. (…)”


O mito da mulher troféu, reluzente, que numa desmedida solicitude nos preenche a pretensão do ego para a superioridade, no fundo a presença de outros, em contexto grupal leva o homem ao jogar pelo inseguro.
A mulher como extensão do homem, segundo a teoria deste autor.
Também podemos referir que muitas mulheres ainda valorizam a imagem estereotípica da postura M. Aceitam a condição de sub conjugação, ignoram que sem igualdade, não existe uma verdadeira apreensão da realidade.
A falsa cedência por parte da mulher advém de um défice de confiança intrínseca que teima em parecer carecer de um excesso de auto-afirmação por parte do homem, o seu herói protector.

Arno, Gruen

1996 A Traição do Eu, o medo da autonomia no homem e na mulher, Assírio & Alvim, Lisboa

Livrarias: Assírio e Alvim

Formiga

sábado, dezembro 15, 2007

São Nicolau


O Santo deste dia é São Nicolau, muito amado pelos cristãos e alvo de inúmeras lendas. Nicolau nasceu na Ásia Menor, pelo ano de 275, filho de pais ricos, mas com uma profunda vida de oração. Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de perseguição em que viviam os cristãos.

São Nicolau é conhecido principalmente para com os pobres, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou-lhes a prostituição, atirou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da Europa, através da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de Dezembro.

Sagrado bispo de Mira, Nicolau conquistou todos com sua caridade, zelo, espírito de oração, e carisma de milagres. Historiadores relatam que ao ser preso, por causa da perseguição dos cristãos, Nicolau foi torturado e condenado à morte, mas felizmente salvou-se em 313, pois foi publicado o edital de Milão que concedia a liberdade religiosa.

São Nicolau participou no Concílio de Niceia, onde Jesus foi declarado consubstancial ao Pai. Partiu para o céu em 342 ao morrer em Mira com fama de santidade e de instrumento de Deus para que muitos milagres chegassem ao povo.

Fonte: EAQ

Para saber mais:

Link: http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/st_nicolas_p.htm


quinta-feira, novembro 29, 2007

Luzes no Crepúsculo

Luzes no Crepúsculo
Título original: Laitakaupungin Valot
De: Aki Kaurismäki
Com: Janne Hyytiäinen, Maria Järvenhelmi, Maria Heiskanen
Género: Dra
Classificacao: M/16

ALE/FIN/FRA, 2006, Cores, 78 min.

Argumento

"Luzes no Crepúsculo" conclui a trilogia iniciada por "Nuvens Passageiras" e "Um Homem sem Passado". Depois do desemprego e dos desalojados, a solidão é o tema escolhido por Aki Kaurismäki. Como o pequeno vagabundo de Chaplin, o protagonista, um homem chamado Koistinen, procura num mundo duro uma pequena brecha pela qual possa rastejar. No entanto, tanto os seus semelhantes como o aparato da sociedade sem rosto fazem questão de esmagar as suas modestas esperanças, uma após outra. Um grupo de criminosos explora a sua ânsia por amor e a sua posição de guarda-nocturno por causa de um roubo, deixando Koistinen abandonado às consequências. Tudo isto é feito com a ajuda de uma bela mulher, segundo Kaurismäki a mais apelativa mulher desde "Eva" ("All About Eve"), de Joseph L. Mankiewicz. E Koistinen será privado do seu emprego, da sua liberdade e dos seus sonhos. Mas, felizmente, à frente desta história está um auto-denominado "velho de coração mole" que não deixará o filme encerrar-se sem que uma "centelha de esperança" ilumine a cena final.
PÚBLICO

Aki Kaurismäki esconde os seus receios, as dificuldades vividas em geral na construção dos seus projectos com a intenção de dar uma imagem de sucesso perante uma bela mulher que apenas deseja a descoberta de outros segredos ligados às funções desempenhadas no seu emprego. O nosso homem revela dificuldades de auto-afirmação pelo motivo ser passivo, por ter medo da perda. Poder-se-á dizer que existe uma relação sustentada pelo medo, no fundo sente-se que é sabido que por parte da personagem que não é amada. Mas como nunca apraz ter tido alguém, esta enorme abertura a um mundo fechado e distante é retida com afinco.
Do outro lado da barricada: outra mulher, que sabe de todas as desventuras, e soube vencer o ciúme, não se intimidando com a prisão de Kaurismäki e sua situação precária em geral.
E sobretudo compreendido que as circunstâncias também podem ser determinantes na construção do ser humano.
É deixada a mensagem que mesmo nos grandes desertos, as espécies ínfimas podem ter um (re)começo.
Ainda que a dignidade de pessoa seja ferida de morte, neste caso é nos dado a conhecer um novo trilho a esta personagem, mesmo no uso dos múltiplos silêncios, consegue ser compreendido e amado. A solidão inicial sentida, a tal percepção de um mundo hermético sem espaço para relações sociais significativas é transformada pouco a pouco em afecto e presença mútua, mesmo que a evolução seja lenta é possível observar duas pessoas face a face.
Importante observar a cena do bar, em que um espaço cheio de gente, é o rastilho para ardilosa armadilha.
Só o voltar costas leva ao abandono, aí a certeza do tempo passar acaba por ser vida sem nada inscrito e olha-se para trás e o desejado pode não ser o ideal… talvez a nostalgia de um constructo criado por todos, sem uma base sustentável.
Este filme fez-me levantar uma questão: Será que a desesperada tentativa de um alcance da normalidade não é mais do que o caminho para uma serena loucura?
A bibliografia para a reflexão acerca destas questões é:
formiga