
Lição dada a corcunda
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Laranja com Canela
O Homem Que Sabia Demasiado
"Mas quem tratou de me amar soube estancar o meu sangue e soube erguer-me do chão." Sérgio Godinho

Imagem retirada de http://luzsilenciosa.blogspot.com/O último filme de Carlos Reygadas demonstra uma maturidade de visão espantosa
Se dizer que para alguns cinéfilos este filme foi um longo bocejo, não estarei a fugir muita à verdade. A obsessão pela forma gerou situações de abandono compulsivo na sala. Pessoas que saíram a grande velocidade como estivessem a fugir sei lá do quê!
O meu veredicto: não estamos na presença de uma obra-prima, no entanto há passagens bem significativas que merecem alguma reflexão.
O Homem tem poder para determinar o seu destino, apenas usando o que existe?
Mas é última instância é nos dada a lição que o amor altruísta jamais é intrusivo. Mulher sôfrega sem legitimidade para pedir e não largar o que não é seu por convenção. A desdita “cabra”.
O Johan descobre a sua alma gémea, mas em si no filme não é mostrado um plano de intimidade entre estes dois amantes. Há o banalizado enlace sexual, que é pouco para definir uma relação harmoniosa que não seja a antecâmara do esquecimento passados uns meses.
Mais pertinente é o dilema amor versus paz. A desenvolver por mim agora.
Muitas mudanças e convulsões sociais geraram precariedade e mesmo algum sofrimento, na lógica do enamoramento ainda temos a nota de culpa. Estes são os grandes temas deste filme: a culpa e remorso e o arrependimento.
A resignação é uma via de paz… má? boa? É caso para dizer que sem ti não se vive, ou contigo também não se vive! É um dado viciante, pois evita-se o incómodo do remorso e até um certo desconforto. Mas deste modo é possível: uma bela e temperada desesperança tomar conta das ocorrências da nossa vida. O que fazer? A tal dúvida sistemática, o incómodo e solidão.
Sem procurar generalizar, até porque no mundo dos afectos é uma má abordagem, poder-se-á que é de princípio mor manter uma certa elegância e estilo a par com a capacidade de surpreender mesmo passados 500 mil anos. Se o outro mesmo numa situação tão favorável mesmo assim quer ir em debanda é porque alguma coisa está ainda mui podre no reino da Dinamarca.
Já na nos últimos minutos da fita é visto o sacrifício como prova suprema de amor, alguém renuncia para poder ainda mais amar. Todo o sentido a comparação com o bucolismo rural, onde um germinador de vida também é a luz. E veio a noite…
O filme italiano Baunilha e Chocolate é a ligação perfeita esta Luz Silenciosa. Formiga

"É verdade que Trás-os-Montes se presta dificilmente à abertura de linhas férreas. A construção de alguns trechos das linhas do Corgo e do Tua ofereceu duras e dispendiosas dificuldades. É o que se verifica de modo exemplar, logo a montante da confluência do Tua, nos primeiros quilómetros cortados em rocha viva, , ora em pequenos e consecutivos túneis, ora em patamares e viadutos lançados sobre impressionantes desfiladeiros."
O blog Pimenta Negra - Explica como foi o nascimento do Movimento Cívico pela Linha do Tua
Para quem não teve o prazer de desfrutar da viagem de comboio nesta linha tem disponível um vídeo em ambos os sites.
Artigo do Jornal de Notícias ( Terça-feira, 23 de Agosto de 2005)
O Formiga...
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in Traição do eu – o medo da autonomia no homem e na mulher, Arno Gruen
Páginas: 83, 84 e 85
“O vício do poder destrói o coração do homem. Insistindo cegamente em tal defeito, o homem diminui-se a si próprio e à mulher, de cuja cumplicidade precisa, para confirmar a sua imagem de poderoso. É esta imagem que, conscientemente ou não, se tornou o sentido da sua existência. Verdadeiro amor não pode surgir porque ninguém está para ser desafiado nos seus pontos sensíveis. Só o que confirme tal imagem é considerado aceitável numa relação “amorosa” dessas. O “Eu” que teria sido possível a cada um é odiado, como ele inclui, também, a vivência do desamparo e do sofrimento. Evita-se a verdadeira responsabilidade, assim como a verdadeira compreensão do outro e de nós próprios. Vivemos em charadas e quando essas não resultam, enfurecemo-nos e matamos.
Passamos as nossas vidas à procura de heróis. E, no momento em que elegemos para nosso herói (ou nossa heroína) se transforma numa pessoa real, deixamo-lo (ou –la). Passamos a desprezá-lo. Ao agirmos assim nem reparamos como, e dentro da lógica do nosso procedimento, nos sentimos enfraquecidos pela perda” – próximos da morte. A depressão e o desespero que constituem o pano de fundo da nossa cultura aparentemente tão radiante são sintomas inequívocos disso.”
(…)
“Como é natural, a realidade do mundo sentimental verdadeiro consiste, também, noutros conteúdos vivenciais: alegria, êxtase, coragem e luto.
Mas não da alegria que se instala por passarmos à frente de alguém, ou o êxtase que pode ser causado pelo sucesso obtido numa competição, quer dizer, todas aquelas vivências que, já de si, provém de uma realidade “postiça”: a da necessidade de ter sucesso para fugir ao falhanço. Falo da alegria baseada em empatia causada pelo desenvolvimento de outra pessoa, ou até de uma planta; a vivência partilhada de alegrias e tristezas. (…)”
O mito da mulher troféu, reluzente, que numa desmedida solicitude nos preenche a pretensão do ego para a superioridade, no fundo a presença de outros, em contexto grupal leva o homem ao jogar pelo inseguro.
A mulher como extensão do homem, segundo a teoria deste autor.
Também podemos referir que muitas mulheres ainda valorizam a imagem estereotípica da postura M. Aceitam a condição de sub conjugação, ignoram que sem igualdade, não existe uma verdadeira apreensão da realidade.
A falsa cedência por parte da mulher advém de um défice de confiança intrínseca que teima em parecer carecer de um excesso de auto-afirmação por parte do homem, o seu herói protector.
Arno, Gruen
Formiga