segunda-feira, agosto 19, 2013

Poema sem título



 (In http://cristianejunior2.blogspot.pt/2011/04/25-de-abril-dia-do-amor-dublin-irlanda.html)


Amanheceu, é preciso acordar

O tempo está de calor

Abre os olhos, solte-te um pouco

Espera só mais um pouco, meu amor

Para ti, agora estou

O sonho ainda não acabou

No horizonte, o Abril de (a)manhã é todo teu

Ao seu encontro, caminha uma revolução

Feliz Aniversário, amor de vida!

Sorria mesmo no degredo.

O nosso sonho ainda não acabou

Que para ser feliz não há além segredo.

formigadaterra, inspirado num poema de uma canção de Júnior Maciel e Josias Teixeira

domingo, janeiro 16, 2011

Endgame Samuel Beckett



Hoje, Almada esteve em presença de um dos grandes encenadores do teatro europeu: Krystian Luca.
A peça levanta dúvidas, questões quem nem conseguimos pensar, e nem saber se conhecemos os motivos por que o não conseguimos.
Personagens que esperam pelo fim, não pelo futuro, porque o que está prestes a acontecer será em breve, no presente.
Acreditar na vida após a morte... então quando é que se começa a morrer? Sabe-se o dia ou o mês. Só não sabemos quando se começa a viver? Ou se queremos viver?
Piedade, não é Beckett. É nome de Cova!

Um dia você não terá ninguém, porque não terá tido pena de ninguém e não haverá ninguém de quem ter piedade.
Fala de HAMM


Documentação:

Pdf do TMA: http://www.ctalmada.pt/temporada/files/00000500/00000970_0010.pdf

Pdf: Trying to Understand to Endgame by Theodor Adorno

Boas leituras
Formiga

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Instante


Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões

Quando o ser só dura um instante onde cada instante

Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido

Sem esta onda onde por fim

Corpo e sombra juntos se dissipam

Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios

Arquejando furiosos em direcção ao socorro em direcção ao amor

Sem este céu que se eleva

Sobre o pó dos seus lastros

Que faria eu eu faria como ontem como hoje

Olhando para a minha janela vendo se não serei o único

A errar e a mudar distante de toda a vida

preso num espaço-marioneta

Sem voz entre as vozes

Que se fecham comigo.



Samuel Beckett

(tradução de Tiago Nené)

Fonte: http://casadospoetas.blogs.sapo.pt/50074.html


No dia 29 de Dezembro de 2010 estreou a peça de teatro "À Espera do Senhor Samuel B".

Mais informação no Expresso

Encontrei um excelente vídeo da peça "À espera de Godot"



Formiga

quarta-feira, setembro 08, 2010

A questão da Felicidade





Ninguém melhor que Rosseuau soube explicar os dilemas intransponíveis da questão da felicidade. Ser incompleto, incapaz de se bastar a si próprio, o ser humano tem necessidade do outro para conhecer a felicidade. No entanto, por depender da relação com o outro, o indivíduo está inevitavelmente condenado às decepções e às mágoas da vida. Uma vez que preciso dos outros para ser plenamente feliz, a minha felicidade é necessariamente fugaz e instável. Sem o outro não sou nada; com o outro, estou à sua mercê: a felicidade à qual o homem pode aceder só pode ser uma “felicidade frágil”. A lição é reveladora: como não podemos ser felizes sozinhos, não somos senhores da felicidade. É algo que nos “acontece” ou nos abandona, e que em larga medida escapa ao nosso controlo; é, por excelência, aquilo que não possuímos. A influência do outro sobre a nossa felicidade é considerável, e dispomos apenas de um fraco poder para controlar o seu curso. Infelizmente, a experiência da felicidade é efémera. (…)
… mas sobretudo ela que me escolhe a mim. Espécie de estado de graça, “a felicidade vem quando quer, não quando eu quero”.
Lipovetsky, Gilles, A Felicidade Paradoxal, Lisboa, Edições 70,2007
Formiga

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Palavras de Ordem Jean Baudrillard

Imagem retirada do blog: Maio, 26


Palavras de ordem... A expressão parece-me definir muito bem uma forma quase iniciática de entrar no interior das coisas, sem todavia se estabelecer um catálogo. As palavras são portadoras e geradoras de ideias, talvez ainda mais do que o contrário. Os operadores de charme, operadores mágicos, não transmitem apenas ideias e essas coisas, mas elas próprias se metaforizam e se metabolizam umas nas outras, segundo uma espécie de evolução em espiral. É asssim que se revelam como transmissoras de ideias.
As palavras têm para mim uma extrema importância. Que elas possuam uma vida própria, portanto, sejam mortais, é uma evidência para quem não reivindica um pensamento definitivo e uma visão edificante. Como é o meu caso. Existe na temporalidade das palavras um jogo quase poético de morte e renascimento: as sucessivas metaforizações fazem com que uma ideia se torne outra coisa para lá dela mesma - uma "forma de pensamento". Porque a linguagem pensa, pensa-nos e pensa por nós, pelo menos enquanto nós pensamos através dela. Trata-se aqui de uma troca, que pode ser simbólica, entre palavras e ideias.
(...)

Baudrillard, Jean, 2001, Palavras de Ordem (1ªedição),Campo das LetrasO meu regresso teve todo o apoio de Maria C. P., o sincero agradecimento de
Formiga.

domingo, maio 31, 2009

"Processo exotópico da minha relação com o outro"

http://anafilatico.wordpress.com


...da consciência que eu tenho do outro:

"O excedente da minha visão contém em germe a forma acabada do outro, cujo desabrochar requer que eu lhe complete o horizonte sem lhe tirar a originalidade. Devo identificar-me com o outro e ver o mundo através de seu sistema de valores, tal como ele o vê; devo colocar-me em seu lugar, e depois, de volta ao meu lugar, completar seu horizonte com tudo o que se descobre do lugar que ocupo, fora dele; devo emoldurá-lo, criar-lhe um ambiente que o acabe, mediante o excedente de minha visão, de meu saber, de meu desejo e de meu sentimento" (p.45).
BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Mal Visto Mal Dito Samuel Beckett



"O rosto recebe ainda os últimos raios. Sem nada perder da sua palidez. Da sua frieza. O sol suspende a sua queda o tempo de tal imagem rasando o horizonte. Que é como diz a terra a sua desordem. Os finos lábios parecem destinados a não mais se abrirem. Na mal reprimida sutura um pouco de polpa. Pouco provável teatro de beijos outrora dados e recebidos. Ou dados somente. Ou somente recebidos. A reter sobretudo a ínfima curva das comissuras. Um sorriso? Será possível? Sombra de sorriso antigo que enfim sorri de uma vez por todas. Assim se apresenta a mal entrevista boca à luz dos últimos raios que de súbito a abandonam. Ou que a própria boca porventura abandona.
Regressa à escuridão onde sorrir sempre. Se sorrir é isso."

Edições Quasi

Publicado por Formiga